Mandado de detenção de Julian Assange continua válido

A Justiça britânica decidiu que o fundador do Wikileaks cometeu um delito quando se refugiou na embaixada do Equador em 2012 e recusou-se a cancelar o mandado de detenção de Assange, tal como tinha sido requerido pela defesa do activista australiano.

Assange pode ser detido pela polícia britânica se sair da Embaixada do Equador, onde vive há mais de cinco anos
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Assange pode ser detido pela polícia britânica se sair da Embaixada do Equador, onde vive há mais de cinco anos LUSA/ANDY RAIN

O mandado de detenção de Julian Assange, fundador da Wikileaks, continua válido, decretou esta terça-feira a justiça britânica. Assange ainda pode ser detido se sair da embaixada do Equador em Londres, onde vive há cinco anos e meio. O activista australiano viu-lhe ser recusado o seu pedido de cancelamento do mandado de detenção no imediato, mas a decisão ainda pode mudar na audição marcada para a próxima semana. 

A juíza Emma Arbuthnot decretou que o mandado de captura de Assange continua válido, mesmo que a polícia sueca tenha arquivado os processos de violação e assédio a duas mulheres por falta de provas. De acordo com a defesa de Assange, essa razão deveria ser suficiente para invalidar o mandado de captura que o impede de sair da embaixada do Equador. No entanto, o Tribunal de Magistrados de Westminster não concorda. A juíza afirma que Assange cometeu um delito quando se refugiou na embaixada equatoriana em Londres para escapar ao mandado de captura europeu.

Arbuthnot afirmou não estar “convencida de que o mandado devesse ser revogado”, mas deixou que a defesa de Assange apresentasse novos argumentos, relata a Sky News. A decisão final será tomada a 13 de Fevereiro.

O advogado de Assange, Mark Summers, disse, no mês passado, que o arquivamento do processo na Suécia faria com que deixasse de haver “propósito e função” para o mandado, cita o Guardian. A defesa acredita que Assange já passou cinco anos num ambiente semelhante ao de uma prisão “sem acesso a cuidados médicos adequados ou luz do sol, em circunstâncias onde a sua saúde física e psicológica se deterioraram e estão em perigo”.

O procurador Aaron Watkins estranhou os argumentos da defesa. “Assange foi libertado sob fiança; com o dever de se entregar à custódia do tribunal e não o fez no tempo que lhe foi dado. Por isso, o mandado mantém-se”, disse Watkins, de acordo com o Guardian.

Julian Assange refugiou-se na embaixada do Equador em Londres em Junho de 2012 para escapar ao mandado de detenção europeu, na sequência de acusações de violação na Suécia. O mandado foi retirado em Maio do ano passado.

Assange continua na representação diplomática equatoriana por receio de ser detido pelas autoridades britânicas e deportado para os Estados Unidos, onde pode ser julgado pela publicação de documentos militares e diplomáticos confidenciais. O WikiLeaks, lançado em 2006, divulgou ilegalmente, em finais de Novembro de 2010, milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, tornando Julian Assange e o seu site um alvo da Administração norte-americana.

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