Noite Xita, terceiro round: a música portuguesa continua a mexer

A editora e promotora Xita Records volta a reunir a família e os amigos para uma maratona de concertos, na ZDB.

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As Ninaz, um dos projectos-estandarte da Xita VERA MARMELO

Janeiro de 2016 e a turma Xita Records apresentava-se oficialmente ao mundo. Acontecia a primeira Noite Xita no EKA Palace, em Lisboa; acontecia a chegada de mais um plantel – sub-20, promissor, de sangue a ferver – à música portuguesa. Passados dois anos, não ficaram pelo caminho. São hoje uma das editoras e promotoras que dão gás à cena indie lisboeta e que contribuem para o vigor e a constante renovação de um circuito da música nacional cada vez mais coeso, entusiasmante e essencial, a par de cúmplices como a Cafetra e a Maternidade.

Este sábado, na ZDB, em Lisboa, voltam a reunir a família e alguns amigos para a Noite Xita 2018. Onze horas de concertos (e não só), entre as 16h e as 3h, que podem ser vistas como uma espécie de festa de aniversário ou a assembleia magna da editora, mas que eles preferem nomear como a “terceira grande celebração” da Xita Records. “Grande celebração engloba tudo”, diz Lucía Vives, 18 anos, porta-voz do colectivo e baterista das Ninaz, um dos projectos-estandarte da Xita. Várias coisas mudaram desde 2016 (incluindo o facto de todos os membros terem terminado o liceu). “Nos últimos anos explorámos muitos caminhos e muitas formas de fazer as coisas. Em 2016 fartámo-nos de dar concertos, em 2017 abrandámos um bocado nesse aspecto e começámos a gravar muito mais, a editar mais discos e canções. Já tínhamos muito trabalho acumulado e quisemos organizá-lo e encaminhá-lo”, explica Lucía, que no ano passado lançou, em nome próprio, o EP Príncipe Real, produzido por Luís Severo.

Mas a “maior evolução”, assinala a baterista e cantautora, foi a Xita ter começado a mostrar-se fora do círculo de amigos da capital, sobretudo durante o último ano. Lucía e João Raposo tocaram no festival Bons Sons, em Cem Soldos, as Ninaz foram até Vigo e Manuel Lourenço, cantor e compositor mais conhecido por Primeira Dama, andou a apresentar o seu (muito recomendável) álbum homónimo por vários sítios do país e em festivais como o Vodafone Mexefest – sem esquecer o concerto especial que deu com Lena d’Água e com colegas da Xita na ZDB, no arranque de 2018.

Esta terceira Noite Xita serve também para celebrar esse crescimento. E para apostar em novos formatos e projectos em primeira mão: há os concertos em estreia absoluta de Lucía Vives & Os Acentos, dos CAIXADURA, metade da banda de indie rock Aerogasmo, que também integram o alinhamento, e de Inóspita, heterónimo de Inês Matos à guitarra. Entre os vários nomes da editora, ouvir-se-á um preview dos novos discos de Ninaz, quarteto de garage-rock sacarino e insubordinado traçado a punk, e de MIGAS, projecto de Manuel Lourenço e António Queiroz (Kerox) virado para a electrónica exploratória, que resulta em canções violáceas, desfocadas e com vestígios de r&b. O lançamento de ambos está agendado para os próximos meses, com a ajuda na produção de Filipe Sambado, da Maternidade.

Depois, há os amigos: Caramel Churro, brasileiro a viver em Dublin e “amigo da net” de longa data; Vasco da Ganza, a representar a editora e promotora portuense Favela Discos; Smiley Face, da Cafetra; BLEID, valiosa produtora de música electrónica que lançou recentemente o primeiro álbum pela LABAREDA e que se apresentará aqui num live em colaboração com Kerox; Vaiapraia – da banda Vaiapraia e as Rainhas do Baile, onde também toca Lucía Vives –, que irá estrear uma performance com convidados, o seu primeiro “show de variedades”; e Xico da Ladra, que se junta a Primeira Dama para um DJ set.

“Acho que vai ser uma festa incrível”, atira Lucía. Fica o entusiasmo – e o convite.