Morreu Mark E. Smith, o líder dos estilhaçados The Fall

A banda marcou a cena musical de Manchester entre as décadas de 1970 e de 1980, com o seu pós-punk distendido. O vocalista era o único membro original ainda no grupo. Tinha 60 anos.

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Mark E. Smith tinha 60 anos DR

Mark E. Smith, o homem que conduziu até à actualidade os ingleses The Fall desde a fundação em Prestwich, Grande Manchester, em 1976, morreu nesta quarta-feira. Conhecido pelo seu temperamento irascível, que tanto dava personalidade e nervo ao som pós-punk que produzia como o levou a incompatibilizar-se e a despedir dezenas de companheiros, o vocalista e compositor deixa uma longuíssima discografia em álbuns de estúdios e ao vivo. Tinha 60 anos.

A morte foi anunciada na conta oficial da banda no Twitter, sem avançar com as causas da morte. 

No ano passado os The Fall lançaram o seu 32.º álbum de estúdio – o New Facts Emerge – e planearam, para os meses seguintes uma digressão. No entanto, em Agosto, vários concertos foram cancelados devido ao estado de saúde de Smith, que foi hospitalizado com problemas na garganta, boca e respiração. “Infelizmente seria um risco para a sua saúde voar para qualquer lado nos próximos meses”, disse na altura a agente da banda, Pamela Vander. Um dos concertos cancelados esteva agendado para 18 de Novembro do ano passado no Hard Club, no Porto, cidade onde actuaram pela primeira vez em 2009, na Casa da Música.

Como diz a revista Rolling Stone, os Fall nunca se tornaram um sucesso comercial (um dos seus maiores hits foi um cover do tema dos Kinks Victoria), mas foram uma das bandas mais importantes do pós-punk britânico, em eterna rivalidade com outras bandas do Norte de Inglaterra, como era o caso dos Joy Division, com quem partilharam o palco nos concertos de encerramento da emblemática sala punk Electric Circus, que daria origem ao EP Short Circuit: Live at the Electric Circus. Os The Fall assinavam dois temas nesse disco: Stepping out, tema de abertura, e Last orders.

Ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, os The Fall sempre foram um projecto pessoal de Mark E. Smith. Dos mais de 30 discos de originais, eram certamente uma das mais prolixas e constantes bandas da época, destacam-se Perverted by Language, This Nation's Saving Grace e o inclassificável Hex Enduction Hour, quarto álbum da longa carreira da banda, cujos primórdios estão sobejamente retratados na bíblia do pós-punk dos anos 80: Escrítica Pop, de Miguel Esteves Cardoso.

Mark E. Smith, ele próprio, foi uma das figuras de 24 Hours Party People, um sucesso cinematográfico sobre o rock inglês da década de 80, realizado em 2002 por Michael Winterbottom, particulamente sobre as bandas que pululavam à volta da Factory Records, que Tony Wilson criou em Manchester com Alan Erasmus e Rob Gretton.