Protestos contra fecho de lojas em Gondomar, Abrantes e Alpiarça

PS questionou o Governo sobre se conhece os critérios para o encerramento de lojas dos CTT no distrito de Santarém.

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ricardo campos/Arquivo

Dezenas de pessoas concentraram-se nesta sexta-feira junto à estação dos CTT da Areosa, em Rio Tinto, Gondomar, para protestar contra o encerramento deste balcão, exigindo "um serviço público de qualidade" e criticando "medidas meramente económicas".

Faixas e tabuletas com inscrições como "Não ao encerramento dos CTT" ou "Em defesa dos serviços públicos" ilustravam o grito "Os CTT são do povo, não podem fechar". Em causa está um balcão de CTT situado na fronteira entre os concelhos de Gondomar, Maia e Porto, local onde vivem cerca de 20.000 pessoas.

Os CTT confirmaram a 2 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afectar 53 postos de trabalho.

Em declarações à agência Lusa, o vereador do PCP na Câmara de Gondomar, Daniel Viera, criticou a decisão de encerrar este posto por este, disse, "ter um impacto muito grande e importante", apontando o dedo à administração dos CTT por "fechar serviços de forma cega". "Não é verdade que esta estação não tem uma frequência grande. Há dias em que fazem filas aqui. Este encerramento, e de outras estações, é resultado da privatização dos CTT e de más decisões de vários governos. E esta zona já tem vindo a ser muito calejada: agora os CTT e antes encerraram a PSP", disse Daniel Vieira, justificando um protesto marcado pelo PCP/Gondomar.

De acordo com o vereador, o PCP já pediu a presença do ministro do Planeamento na Assembleia da República de forma a reivindicar que este promova a reversão desta decisão junto da administração dos CTT.

A estação dos CTT da Areosa localiza-se na rua D. Afonso Henriques, uma rua que faz a ligação entre o Porto e a freguesia de Ermesinde, em Valongo. Também a população das freguesias de Pedrouços e Águas Santas (Maia), Rio Tinto (Gondomar) e Paranhos (Porto) recorre a esta estação.

Eugénia Faria, administrativa, residente em Rio Tinto, é uma das utilizadoras deste balcão de CTT: "É uma estação muito usada e o que mais me faz confusão é que a mais próxima é a da Asprela [junto ao hospital S. João no Porto] que também vai ser encerrada", disse à Lusa. Também Ana Ferreira, reformada, lembrou a dificuldades dos mais idosos em se deslocarem a outras estações e referiu que é neste posto que paga as contas mensais. "Se cortam nos serviços todos, para onde caminhamos? Que país é este em que os pobres, que não têm carro nem internet, são quem mais sofre porque lhes é cortado tudo?", questionou.

Na quarta-feira, em declarações à agência Lusa, o presidente da câmara de Gondomar, Marco Martins, apontou que nem a autarquia, nem a junta de freguesia foram contactadas pela administração dos CTT, à qual o autarca disse ter pedido uma "reunião urgente".

Também o PSD/Gondomar, em comunicado difundido quinta-feira, criticou esta medida, dizendo estar "certo que o encerramento de mais um serviço de proximidade tão útil e importante para o desenvolvimento económico de Gondomar e para os munícipes, especialmente para os idosos e cidadãos de mobilidade reduzida, motivará uma deliberação conjunta e transversal de todas as forças políticas".

Protestos de PS, BE e PCP no distrito de Santarém

O PS questionou também nesta sexta-feira o Governo sobre se conhece os critérios para o encerramento de lojas dos CTT em Abrantes e Alpiarça, no distrito de Santarém, fecho que também já mereceu o protesto do PCP e BE.

Na pergunta do PS dirigida ao ministro do Planeamento e Infra-estruturas e assinada pelos três deputados eleitos por Santarém, Hugo Costa, António Gameiro e Idália Serrão, estes afirmam estar "preocupados com a qualidade do serviço púbico postal" e questionam a tutela sobre se "conhece o que esteve na base desta decisão".

Os CTT confirmaram o fecho das lojas de Alferrarede (Abrantes) e Alpiarça, medida que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afectar um total de 53 postos de trabalho.

Na questão que o PS enviou ao Governo, a que a Lusa teve acesso, os deputados eleitos por Santarém lembram que o serviço postal universal é "crucial para a coesão territorial, soberania e integração", tendo feito notar que "os CTT em Portugal sempre foram uma referência e enquanto a sua gestão foi pública os resultados apresentados positivos".

O PS, que lembra que "foi o Governo anterior que decidiu privatizar uma empresa rentável e que prestava um serviço essencial aos cidadãos", manifesta a sua "divergência" relativamente ao fecho destas lojas e pergunta ainda "que medidas foram ou vão ser tomadas para garantir a qualidade e universalidade do serviço público".

Também a distrital de Santarém do BE criticou, em comunicado, o fecho de balcões dos correios em Alferrarede e Alpiarça, defendendo a nacionalização dos CTT. O BE lembra que "desde a privatização dos CTT que o serviço postal se tem degradado acentuadamente, com a empresa focada no lucro e na distribuição de dividendos à custa do despedimento de trabalhadores, aumento dos ritmos de trabalho, tempos de espera inaceitáveis, resultado de contínua diminuição do número de trabalhadores afectos ao atendimento ao público, do encerramento de balcões e de precariedade global em toda a linha de serviços prestados".

Nesse sentido, o BE lembra ter apresentado há menos de um mês, no parlamento, um projecto de lei para a nacionalização dos CTT. "O serviço universal de correio, com a consequente proximidade às populações o qual, está posto em causa neste momento, tem de ser um serviço público, de qualidade e de pertença de todos", pode ler-se. O partido sublinha que "continuará a lutar pelo serviço de qualidade dos CTT e pela sua reintegração na esfera pública", assumindo o "compromisso" de, através do deputado eleito pelo distrito de Santarém, Carlos Matias, "fazer todas as diligências contra a pertença do encerramento dos balcões de Alpiarça e Alferrarede".

A Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP, por sua vez, afirmou "repudiar" o anunciado encerramento dos postos dos CTT em Alpiarça e Alferrarede (Abrantes), ambos no distrito de Santarém, tendo afirmado que esta possibilidade "significaria um salto qualitativo na degradação das condições de vida daquelas populações e dos seus trabalhadores".

Na mesma nota, o PCP afirma que "é possível e necessário inverter esta situação", e "apela à união e luta de todos (trabalhadores dos Correios, utentes e população em geral) para impedir o encerramento destes postos", tendo defendido ser "urgente libertar os CTT da gestão privada e retomar o serviço postal público, universal e de qualidade!".

A empresa referiu na semana passada que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas "não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respectivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente".

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Porto), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).