À procura do vestido de noiva perfeito? Visite a Exponoivos ou então mande fazê-lo por medida

Pureza Mello Breyner, Iza Van ou Joana Montez são três designers que trabalham só para quem quer casar. A feira para os noivos está em Lisboa até domingo e no próximo fim-de-semana ruma ao Norte.

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Pureza Mello Breyner Ricardo Lopes
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Atelier da Pureza Mello Breyner Ricardo Lopes
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Atelier da Pureza Mello Breyner Ricardo Lopes
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Atelier da Pureza Mello Breyner Ricardo Lopes
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Vestido de Pureza Mello Breyner DR
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A designer Iza Van Instagram @iza.van
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Vestido de Iza Van Instagram @iza.van
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A designer Joana Montez DR
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Vestido de Joana Montez DR
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Vestido de Joana Montez DR
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Vestido de Joana Montez DR

São cada vez mais as noivas que trocam os vestidos de loja por um modelo criado propositadamente para elas. Pelo menos é esta a experiência que Pureza Mello Breyner, Iza Van e Joana Montez têm. As noivas procuram as designers com o desejo de fazer um vestido único. Esta sexta-feira começa a Exponoivos, em Lisboa, uma feira onde os candidatos a dar o nó podem escolher da roupa, ao catering, passando pelo lugar da lua-de-mel. Esta feira termina no domingo e no próximo fim-de-semana estará na Exponor, de 12 a 14 de Janeiro. Também esta sexta-feira abriram as inscrições para os Casamentos de Santo António, em Lisboa.

Criada em 1994, “numa época em que não havia um mercado estruturado, consolidado e relativo ao casamento, a Exponoivos passou a ser o lugar onde todos os noivos, durante dois ou três dias, podiam e podem encontrar tudo o que é necessário para o casamento. Tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo”, descreve António Manuel Brito, fundador da Exponoivos, ao Culto.

Nesta feira, que vai na sua 24.ª edição, “é possível encontrar tudo, excepto o noivo e a noiva”, brinca o responsável, acrescentando que o principal objectivo do evento é conseguir juntar a maior mostra possível de empresas de diversos sectores ligados ao matrimónio. Desde vestidos de noiva, a fatos de homem, convites, fotografia, catering, animação, lua-de-mel, entre outros. Este é um mercado que tem vindo a mudar, em 2000 assistia-se a um “crescimento exponencial do número de empresas alusivas ao matrimónio e contavam-se cerca de 65 mil casamentos por ano; hoje em dia são aproximadamente 32 mil os casamentos a concretizarem-se anualmente”. Apesar de o número de casamentos ter diminuído para metade, o mercado estabilizou e o número de empresas (180) e de visitantes que participam nesta feira estabilizou. Aliás, o número de empresas estrangeiras e multinacionais tem crescido, assinala.

E quanto aos vestidos? “Hoje a tendência da moda é muito mais volátil e evolui de uma forma mais rápida, já que o grau de exigência dos noivos também aumentou. Por vezes, as colecções internacionais em Portugal são apresentadas na Exponoivos", responde António Manuel Brito.

Na área dos vestidos e fatos para noivos podem encontrar-se peças de Miguel Vieira, Wedding Clinic ou da Arte & Chic, que marca presença na feira desde 1994. O responsável sublinha que “no segmento de moda para noivas não há pronto-a-vestir, porque apesar de os modelos já existirem, sejam eles importados ou de fabrico nacional, são customizados em função das necessidades dos clientes. Tudo o que é adereço é feito à imagem e necessidade da noiva ou do noivo”. 

Apesar disso, há quem aposte em vestidos ainda mais personalizados, cuja singularidade é a característica mais importante. Nesse caso, Pureza Mello Breyner, Iza Van e Joana Montez – que não participam na feira – são algumas das designers que defendem a exclusividade e originalidade como ingredientes principais.

Pureza Mello Breyner: um trabalho com assinatura

Com cerca de 150 vestidos de casamento encomendados por ano, Pureza Mello Breyner tem atelier em Lisboa. Tudo começou em 2007, numa altura em que não havia muitas pessoas a desenhar vestidos por medida, conta ao Culto. “Em Portugal havia as lojas que vendiam vestidos iguais e depois havia as costureiras. Neste último caso, pode dizer-se que as noivas ficavam um bocadinho nas mãos delas, ou porque não sabiam explicar bem o que realmente queriam, ou porque não sabiam desenhar, ou porque não conseguiam perceber o que lhes assentava bem”, recorda.

Foi depois de ter o segundo filho que a designer, com formação na Escola de Moda de Lisboa, decidiu trabalhar por conta própria. Pureza Mello Breyner, que até então trabalhava no departamento de desenho da Quebramar, iniciou actividade a partir de casa e, passados seis anos abriu o seu atelier. No primeir ano vendeu apenas cinco vestidos, depois começou a vender cerca de 30 a 40 vestidos, mas foi quando criou o vestido para a actriz Leonor Seixas levar aos Globos de Ouro que passou a desenhar entre 100 a 150 vestidos por ano. E as encomendas vêm de todo o lado: “Temos noivas brasileiras, inglesas, francesas, espanholas... Este ano, tivemos sobretudo noivas espanholas.”

Apesar de deixar em todos os vestidos a sua imagem de marca, através de rendas, linhas fluídas, femininas e românticas, a designer sublinha que não faz dois vestidos iguais. “Um vestido é único, a partir do momento em que é desenhado só para aquela noiva, para aquele corpo, para aquela festa, para aquela altura do ano e para aquela personalidade”, frisa. Os vestidos custam, no mínimo, 1800 euros.

No seu atelier, a designer tem uma colecção de vestidos de noiva que lança todos os anos, em Janeiro. Mais uma vez, marca pela exclusividade, produzindo apenas um vestido de cada modelo desenhado. “Esta colecção é direccionada às noivas que precisam de ver para comprar, que têm medo de arriscar”, justifica.

Iza Van: através dos olhos da noiva

Ao contrário de Pureza Mello Breyner, Iza Van não faz nenhuma colecção. Para a designer búlgara “é um desperdício criar peças sem destino”. “Cada vestido que crio é inspirado, na totalidade, em cada cliente”. Desde a conjugação entre o tecido e a silhueta, ao corpo e personalidade de cada noiva, “com os meus conselhos e com a minha técnica tento criar um vestido através dos olhos da noiva”. 

Foi há cerca de cinco anos que Iza Van desenhou o seu primeiro vestido de casamento “por brincadeira” e depois de “um pedido especial de uma cliente”. Quando chegou a Portugal, em 2004, começou por “fazer protótipos e modelagem para várias marcas, guarda-roupa de teatro e peças de roupa para figuras públicas”. A criadora nunca quis “associar-se aos modelos clássicos e tradicionais” dos vestidos noiva, por isso, deixa o seu toque pessoal através da ausência de volume e de “uma silhueta perfeita e que persista no tempo”.

“Vou construindo os meus vestidos por módulos que se juntam, que se completam e que se adaptam aos diferentes momentos do casamento. É desta forma que consigo proporcionar leveza à noiva, já que esta pode tirar uma das partes, de forma a ajustar o vestido à ocasião”, explica.

É no seu atelier na Parede, em Carcavelos, que se dedica de “coração cheio” às suas clientes, como foi o caso da actriz Bárbara Norton de Matos. “Quando uma noiva me escolhe para desenhar o vestido de casamento, está a fazer-me um elogio enorme. Não é um simples vestido, é um vestido que marca a vida toda. No fundo, eu também faço parte da sua história”, reflecte. Por essa razão, não tem mais do que uma assistente e costureira, neste caso Glória Dias, com quem trabalha há cerca de seis anos e em quem confia a “100%”. 

Iza Van acredita que nem todos têm dinheiro para pagar um vestido de noiva e é por essa mesma razão que desenha “vestidos solidários”. “Nunca vou deixar de fazer um vestido com todo o apreço só porque é mais económico”, sublinha.

Joana Montez: das amigas às noivas estrangeiras

Tal como Iza Van, Joana Montez defende que desde que entrou no mundo das noivas, há cerca de 17 anos, o número de vestidos por pedido tem aumentado. “Comecei a desenhar vestidos de noiva em 2000, quando as minhas amigas me começaram a pedir para lhes desenhar o vestido de casamento”, contou.

Além de ter estudado na Escola de Moda de Lisboa, fez duas pós-graduações, uma alusiva ao trabalho de atelier, em Lisboa, e outra sobre tendências, em Paris. “Depois de ter terminado o curso e de ter começado a criar vestidos de noiva, percebi que nessa altura o mercado tinha falta de marcas diferentes, não industriais. Foi aí que lancei uma colecção e abri a primeira loja, no Largo de Camões, em Cascais”. Actualmente tem um atelier com showroom ao lado do Cascais Shopping, onde trabalha há quatro anos e recebe noivas do país inteiro.

Além de noivas portuguesas a viver fora, Joana Montez, que não vê a distância como um impedimento, conta que também recebe pedidos de noivas estrangeiras que de alguma forma estão ligadas a Portugal. “Tenho muitos pedidos de noivas que vivem ou são de Londres. Também já tive pedidos da Austrália, Singapura, China, Estados Unidos, Brasil, França, Suíça, etc.” Normalmente, estas noivas deslocam-se até ao atelier da criadora, no entanto, Joana, a primeira a lançar um site para noivas no país, também usa o Skype ou o Whatsapp para “contactar e discutir algumas ideias” com as clientes.

Em Outubro, a designer lança uma colecção de vestidos de noiva, que se pode espreitar no site, onde também há vestidos para criança, acessórios e uma colecção de vestidos de festa, tudo criado no atelier. “Neste caso, as peças não são únicas, mas tendo em conta que os tecidos são muito limitados e que estamos a trabalhar para um mercado que é pequeno, temos o cuidado de não produzir muitos vestidos iguais. Além disso, apesar de não serem exclusivos, são optimizados para cada cliente”, explica, acrescentando que todos os bordados são feitos à mão no atelier, onde tem quatro costureiras. Os vestidos da colecção fixa podem variar entre os 2400 e os 3000 euros. Os exclusivos custam no mínimo 3000 euros.

Joana Montez diz que o número de pedidos tem aumentado. “Este ano, sobretudo. Os pedidos começaram logo em Outubro, actualmente, acho que é um mercado estável”, aponta. No entanto, “há cada vez mais concorrência, já que os vestidos de noiva por pedido estão na moda”. “Quando comecei não havia quase ninguém a interessar-se por marcar a diferença através da criação de vestidos de noiva originais e singulares”. Hoje já não é assim.

Texto editado por Bárbara Wong