Editorial

Portugal não joga em Macau

Se, para o resto da China, Macau tem sido a terra do jogo e dos pastéis de nata, para Portugal também não tem representado muito mais.

Macau é uma região reconhecida por uma realidade: jogo. Desde há duas semanas, é também conhecida por ter entrado na lista negra dos paraísos fiscais da União Europeia. Essa é uma consequência da facilidade com que o dinheiro transita por Macau e da falta de controlo sobre as transações financeiras da região, algo que muito tem ajudado ao crescimento dos negócios. Mas agora as consequências são mais graves e podem pôr em causa a relação com o exterior, a não ser que o governo da Região Administrativa aceda a alterar as premissas da sua legislação.

A indústria do jogo, que voltou a encontrar o caminho do crescimento em 2017, é estrutural para a região – e para a manutenção do estatuto dos dois sistemas que tem viabilizado a relevância do território na grande nação chinesa. Com Stanley Ho incapacitado, o cenário de dissolução do grupo coloca-se de forma premente – e com as concessões do jogo a poucos anos de se renovar, a pressão só vai aumentar. E é isso mesmo que conta a reportagem que publicamos nesta véspera de natal.

Se, para o resto da China, Macau tem sido a terra do jogo e dos pastéis de nata, para Portugal também não tem representado muito mais. Tirando os que têm familiares ou amigos com ligações à região, pouco sabemos de um território que tem pouco mais de 30 quilómetros quadrados mas onde vivem mais de seiscentas mil pessoas. E agora, com a geração da transição a chegar à maioridade será bom e perceber se temos algo mais para deixar em Macau para lá de sangue e nomes de ruas. A ligação é ténue mas pode ser estreitada.

Dada a crescente importância da economia chinesa em Portugal, onde se incluem os interesses macaenses, bem faríamos em entender melhor o que se passa nesta pequena região. Há muito interesse chinês em Portugal que vai bem para lá dos vistos gold e da EDP. Há 200 mil turistas a chegar a partir da China e há investimentos em várias actividades económicas, o que só justifica mais atenção a Macau. Até porque é certo que da história pode sobrar só o património, mas há no território muitos portugueses e quanto baste de portugalidade para merecer um pouco mais de atenção. Até porque, com a instabilidade americana, a relevância da China no mundo irá inevitavelmente aumentar. 

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