Incêndios florestais

Não foi um incêndio. Foi “o” fogo



 

Orlando Alves, reformado, ex-mineiro "Ardeu tudo. Fiquei sem nada. Do que tenho mais pena é do meu fato completo de mineiro, de quando trabalhava no Pejão. E do enxoval da minha filha, que casou há três anos e não tinha sítio para o pôr. Foi tudo. Só salvei o cão, o "Micki" (em homenagem ao internacional de futebol Miklós Fehér) , e o gato, o "Tareco". " Adriano Miranda/Público
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Orlando Alves, reformado, ex-mineiro "Ardeu tudo. Fiquei sem nada. Do que tenho mais pena é do meu fato completo de mineiro, de quando trabalhava no Pejão. E do enxoval da minha filha, que casou há três anos e não tinha sítio para o pôr. Foi tudo. Só salvei o cão, o "Micki" (em homenagem ao internacional de futebol Miklós Fehér) , e o gato, o "Tareco". " Adriano Miranda/Público

O incêndio chegou a Castelo de Paiva ao cair da noite, por volta das 20h00. Adriano Miranda retratou as vítimas à mesma hora e no mesmo local em que as chamas lhes levaram quase tudo. Ficaram para contar como foi.

Adriano Miranda/Público
Manuel Brandão, mecânico."
Tenho esta oficina aqui montada, junto de minha casa, há 24 anos. Eu tenho 48, é metade da minha vida. O meu problema é que tinha aqui para reparação 12 carros de clientes. Não consegui salvar nenhum"
Manuel Brandão, mecânico." Tenho esta oficina aqui montada, junto de minha casa, há 24 anos. Eu tenho 48, é metade da minha vida. O meu problema é que tinha aqui para reparação 12 carros de clientes. Não consegui salvar nenhum" Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Rosentino Brandão, empresário florestal 
"O incêndio não me levou apenas a madeira, que já estava cortada e empilhada. Levou-me todas as máquinas para a trabalhar. Dou lucros ao Estado há 12 anos, a minha empresa tem oito trabalhadores. Os meus prejuízos são mais de 300 mil euros"
Rosentino Brandão, empresário florestal "O incêndio não me levou apenas a madeira, que já estava cortada e empilhada. Levou-me todas as máquinas para a trabalhar. Dou lucros ao Estado há 12 anos, a minha empresa tem oito trabalhadores. Os meus prejuízos são mais de 300 mil euros" Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
António Cardoso, agricultor
"O incêndio foi no domingo, mas só na sexta feira seguinte é que passou por aqui alguém para ver se eu precisava de alguma coisa. Os meus campos estão todos amanhados e limpinhos. Não adiantou nada. Salvei a casa, mas os campos, as alfaias, foi-se tudo".
António Cardoso, agricultor "O incêndio foi no domingo, mas só na sexta feira seguinte é que passou por aqui alguém para ver se eu precisava de alguma coisa. Os meus campos estão todos amanhados e limpinhos. Não adiantou nada. Salvei a casa, mas os campos, as alfaias, foi-se tudo". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Albina Araújo, cabeleireira aposentada.
"Ainda levei umas palmadas nesta escola primária e às vezes lembro-me disso. Agora é a nossa casa improvisada. Quero muito voltar à minha casa, que foi da minha mãe. Ainda não lhe disse o que aconteceu"
Albina Araújo, cabeleireira aposentada. "Ainda levei umas palmadas nesta escola primária e às vezes lembro-me disso. Agora é a nossa casa improvisada. Quero muito voltar à minha casa, que foi da minha mãe. Ainda não lhe disse o que aconteceu" Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Joaquim Rodrigues, Comandante Bombeiros Voluntários de Castelo de Paiva
"Isto foi um inferno. Ficámos cercados pelo fogo em Gaído, onde começou".
Joaquim Rodrigues, Comandante Bombeiros Voluntários de Castelo de Paiva "Isto foi um inferno. Ficámos cercados pelo fogo em Gaído, onde começou". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Manuel Santos, comerciante
"Fiquei sem o meu café e os meus vizinhos. Só neste prédio viviam duas famílias e existiam dois estabelecimentos comerciais. Foi tudo pelos ares. Foi tudo muito rápido".
Manuel Santos, comerciante "Fiquei sem o meu café e os meus vizinhos. Só neste prédio viviam duas famílias e existiam dois estabelecimentos comerciais. Foi tudo pelos ares. Foi tudo muito rápido". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
António Óscar, industrial de calçado
"Comprei esta fábrica há seis anos e investi aqui tudo o que tinha. Fiquei exausto e desmoralizado. reconheço, humildemente, que preciso de ajuda. E, naturalmente, não estou preparado para qualquer tipo de desilusão".
António Óscar, industrial de calçado "Comprei esta fábrica há seis anos e investi aqui tudo o que tinha. Fiquei exausto e desmoralizado. reconheço, humildemente, que preciso de ajuda. E, naturalmente, não estou preparado para qualquer tipo de desilusão". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Manuel Lopes, funcionário fabril
"Só me lembro de estar virado ao contrário, de ver os vidros fechados  e o lume lá fora e de pensar: vou morrer aqui. O lume parecia sádico. Salvei-me não sei como. Vi a morte de perto por três vezes.  Foi o Diabo. Mas Deus também andou por aqui".
Manuel Lopes, funcionário fabril "Só me lembro de estar virado ao contrário, de ver os vidros fechados e o lume lá fora e de pensar: vou morrer aqui. O lume parecia sádico. Salvei-me não sei como. Vi a morte de perto por três vezes. Foi o Diabo. Mas Deus também andou por aqui". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Afonso Martins, mecânico
"Fiquei sem nada. Trabalhava aqui há mais de 40 anos. Depois do fogo, vieram as máquinas e derrubaram o que restava da oficina. Estou em cima de um carro que está subterrado"
Afonso Martins, mecânico "Fiquei sem nada. Trabalhava aqui há mais de 40 anos. Depois do fogo, vieram as máquinas e derrubaram o que restava da oficina. Estou em cima de um carro que está subterrado" Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
António Fernando Pereira, encarregado de fábrica de calçado
"Foi muito duro chegar à fábrica e ver tudo calcinado. Não sobrou nada de pé. E dois dias depois, o patrão mandou a carta de desemprego aos 86 funcionários. Foi muito duro".
António Fernando Pereira, encarregado de fábrica de calçado "Foi muito duro chegar à fábrica e ver tudo calcinado. Não sobrou nada de pé. E dois dias depois, o patrão mandou a carta de desemprego aos 86 funcionários. Foi muito duro". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
 Joaquim Carvalho, funcionário da Schmidt Light Metal
"Nunca pensei que teria de recomeçar outra vez, do zero, aos 54 anos. A casa era alugada, mas tudo o que tinha aqui dentro custou mais de 100 mil euros. Enfim, para quem ultrapassou um cancro, o resto tem de ser encarado como um desporto. Quem me tem ajudado são os meus patrões, que me estão a pagar um hotel. Do Estado ainda não recebi nada".
Joaquim Carvalho, funcionário da Schmidt Light Metal "Nunca pensei que teria de recomeçar outra vez, do zero, aos 54 anos. A casa era alugada, mas tudo o que tinha aqui dentro custou mais de 100 mil euros. Enfim, para quem ultrapassou um cancro, o resto tem de ser encarado como um desporto. Quem me tem ajudado são os meus patrões, que me estão a pagar um hotel. Do Estado ainda não recebi nada". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Manuel Luíz, dono de empresa especializada em construção em madeira
"O que aqui chegou não foi um incêndio, foi 'O' fogo. Levou-nos tudo. A fábrica, o material em stock. Estamos vivos. É uma oportunidade. Vamos recomeçar. Fazer melhor", .
Manuel Luíz, dono de empresa especializada em construção em madeira "O que aqui chegou não foi um incêndio, foi 'O' fogo. Levou-nos tudo. A fábrica, o material em stock. Estamos vivos. É uma oportunidade. Vamos recomeçar. Fazer melhor", . Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
António Silva, motorista desempregado
"Aguentei até não poder mais. Tentei salvar a casa mas não consegui. Saí de rastos tal era a força das chamas e do fumo. Não via nada à frente. Ardeu tudo. Agora estou à espera. Os apoios será que vêm?".
António Silva, motorista desempregado "Aguentei até não poder mais. Tentei salvar a casa mas não consegui. Saí de rastos tal era a força das chamas e do fumo. Não via nada à frente. Ardeu tudo. Agora estou à espera. Os apoios será que vêm?". Adriano Miranda/Público
Adriano Miranda/Público
Carlos Osório, funcionário de supermercado

"Desde que a minha mãe morreu esta era a minha casa. A casa dos meus pais. Não ficou nada, ardeu tudo. Estou a viver com o meu irmão.  Mas é para aqui que eu quero voltar. Não quero outra casa em mais lado nenhum. Quero a casa dos meus pais".
Carlos Osório, funcionário de supermercado "Desde que a minha mãe morreu esta era a minha casa. A casa dos meus pais. Não ficou nada, ardeu tudo. Estou a viver com o meu irmão. Mas é para aqui que eu quero voltar. Não quero outra casa em mais lado nenhum. Quero a casa dos meus pais". Adriano Miranda/Público
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