Fosso entre ricos e pobres está a aumentar, mas é menor na Europa

Relatório que avaliou a desigualdade económica no mundo também conclui que, para aqueles acima dos 50% mais pobres e abaixo dos 1% mais ricos, não houve grandes alterações nos rendimentos desde 1980.

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Rui Gaudencio

Os ricos estão mais ricos e os pobres estão um pouco menos pobres. É uma das conclusões a que chegou o grupo de investigadores que produziu o World Inequality Report 2018, um trabalho do World Inequality Lab, associado à Paris School of Economics. 

A metade mais pobre dos indivíduos viu o seu rendimento crescer “significativamente” nas últimas décadas. Mas por causa da elevada desigualdade, a porção detida pelos mais ricos (1% da população) cresceu duas vezes mais do que a dos 50% mais pobres, entre 1980 e 2016. Quanto aos que estão entre os 50% mais pobres e os 1% mais ricos, o crescimento foi lento e sem grandes alterações. 

O Médio Oriente, a Índia, a África Subsariana e a América do Norte são as regiões mais desiguais. A Europa, por sua vez, é aquela onde a diferença entre ricos e pobres, apesar de existir, é menor.

Os 10% mais ricos do Médio Oriente retêm 61% do total dos rendimentos nacionais. Na Europa, por sua vez, estes 10% ficam com uma menor fatia do rendimento global, cerca de 37%.

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As diferenças entre a Europa e os Estados Unidos, que em 1980 apresentavam aproximadamente os mesmos níveis de desigualdade, eram particularmente extremas em 2016. Enquanto os mais ricos nos Estados Unidos passaram a deter cerca de 20% da riqueza (em oposição aos 12% de 1980), os mais ricos da Europa passaram dos 10% para os 12%.

O fenómeno na Europa deve-se às políticas de educacionais e de fixação de salários, “relativamente mais favoráveis aos grupos com rendimentos baixos e médios”.

Apesar de tudo, em ambas as regiões, a desigualdade entre homens e mulheres continua particularmente evidente entre os mais ricos, frisa o relatório.

A este ritmo, o futuro não será melhor

“As nossas projecções mostram que, se a desigualdade em cada país continuar a aumentar, como tem acontecido desde 1980, então também vai subir abruptamente ao nível global. A fatia dos 1% mais ricos pode aumentar de quase 20% para mais de 24% até 2050”, dizem os autores do relatório.

Porém, se todos seguissem a trajectória seguida pela Europa, os 1% mais ricos iriam passar a deter uma fatia menor da riqueza em 2050.

No geral, cada região e grupo de países apresenta tendências muito diversas que têm a ver com contextos e políticas distintas. Posto isto, os autores do estudo concluem: “Não há nenhuma inevitabilidade por trás do aumento da desigualdade económica.”