Morais Sarmento e o “voto em Costa” atiçam os dois lados do PSD

Santana Lopes quer que o adversário diga se mantém o seu mandatário nacional; Rui Rio desvaloriza e diz que a mensagem é que “o PSD tem de mudar”

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Margarida Basto

Duas frases de Nuno Morais Sarmento numa entrevista ao semanário Sol de sábado foram a faísca para os dois “lados” do PSD aguçarem as críticas durante o fim-de-semana. Rui Rio veio desvalorizar as declarações do seu mandatário nacional, enquanto Pedro Santana Lopes criticou Sarmento e desafiou Rio a dizer se as “subscreve” e se tenciona manter o antigo ministro como mandatário nacional.

“Qual dos dois [Santana ou Rio] é que tem uma visão do país, um caminho diferente? É que se for para andar à volta, eu voto Costa. Para ficar onde estamos, eu voto Costa. Se é para gerir com habilidade política, o Costa é bom, é um político de primeira categoria”, afirmou Nuno Morais Sarmento numa resposta ao Sol em que disse também que Rio tem “mais proximidade de feitio com Cavaco” e Santana tem um comportamento mais parecido com o de Marcelo.

À margem de uma acção de campanha, Pedro Santana Lopes defendeu que “uma pessoa não pode dizer, ao ser militante de um partido, que se não ganhar no partido aquele que ele prefere, que vai votar noutro partido". E acrescentou que  fica “chocado” por ouvir um adversário de outro partido – “quanto mais num candidato à liderança do meu partido…” - dizer que o PSD corre o risco de “desaparecer”, citação que atribuiu a Rui Rio. “São declarações infelizes que não deviam ser repetidas.”

Sorridente, Rui Rio desvalorizou a irritação do adversário, atribuindo-a à falta de argumentos para o atacar. “O que eu li nas declarações de Nuno Morais Sarmento foi assim: se o PSD não mudar, se for para fazer igual ao PS, então podemos votar no PS. O PSD tem de mudar, seja comigo, seja com o sr. Santana Lopes. Isto tem de extraordinário o quê?”, questionou-se o antigo presidente da Câmara do Porto. “Ele não diz que se eu não ganhar as eleições que ele vota no PSD. O que ele diz é que se o PSD não mudar não faz sentido votar no PSD. Para votar no PSD, o PSD tem de mudar e tem de mudar a política para o país”, vincou.

E rejeitou também previsões catastrofistas sobre o PSD, argumentando ter dado o PS francês como um exemplo para o qual é preciso olhar - “para não nos acontecer lá mais para a frente essa mesma coisa”.

Contactado pelo PÚBLICO, Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada do PSD disse não querer falar mais sobre o assunto, que já comentara na rede social Facebook. “A mensagem é esta: se Rui Rio não chegar a líder do PSD o seu mandatário nacional vota no PS de Costa. Estamos conversados...”, escreveu.

A mesma rede onde se expressou também outro vice da bancada, Miguel Santos, que acusou Rio e Sarmento de usarem as “tácticas do medo, a estratégia da chantagem e de assustar as pessoas”. “São os amuos do costume: se não estiverem no poder, estão do contra.”