Escócia, Londres e Gales também querem regime especial

“Se uma parte do Reino Unido pode permanecer efectivamente no mercado único, então não há boas razões práticas para que os outros não possam”, diz a primeira-ministra escocesa.

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A Escócia tem liderado o coro de vozes a favor de um soft "Brexit" FACUNDO ARRIZABALAGA/EPA
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Sadiq Khan também acredita que Londres poderá beneficiar da excepção irlandesa STEFAN WERMUTH/REuters

Um estatuto comercial diferente do resto do Reino Unido pode não agradar aos unionistas da Irlanda do Norte – receosos de qualquer medida que enfraqueça os laços a Londres –, mas a excepção que o Governo britânico admitiu abrir para aquela região agrada (e muito) a outras partes do país.

“Se uma parte do Reino Unido pode manter um alinhamento regulatório com a UE e permanecer efectivamente no mercado único, então não há boas razões práticas para que os outros não possam”, afirmou a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon. A Escócia, que no referendo de 2016 votou maciçamente a favor da permanência na UE, liderou durante muito tempo o coro de vozes a favor de um soft “Brexit”, um cenário em que o país se manteria como membro do mercado único europeu (com os direitos e obrigações inerentes) e da união aduaneira (o que evitaria a imposição de tarifas ao comércio entre os dois blocos).

Desde que May fechou a porta a esta opção, em Janeiro, Sturgeon exige um regime que permita à Escócia uma relação diferente com os actuais parceiros europeus, acusando Londres de lhe querer impor uma solução que os seus eleitores rejeitaram. E se até agora, o Governo britânico insistia que todas as nações do Reino Unido sairiam como um todo da UE, esse argumento perde força com a excepção (ainda que hipotética) para a Irlanda do Norte.

E outras vozes não tardaram a juntar-se a Sturgeon. “Enormes ramificações para Londres se Theresa May aceitar que é possível uma parte do Reino Unido permanecer no mercado único e na união aduaneira após o ‘Brexit’”, escreveu no Twitter o mayor de Londres, a capital inglesa que como a Escócia votou esmagadoramente a favor da permanência. Um argumento semelhante ao de Carwyn Jones, o líder trabalhista do governo autónomo do País de Gales, para que, “não é aceitável que algumas partes do país tenham um tratamento mais favorável do que outras”.