Uma árvore por cada mulher assassinada por violência doméstica

De laço lilás ao peito, cerca de uma dezena de pessoas homenagearam as 18 mulheres assassinadas este ano em Portugal vítimas de violência doméstica. As árvores serão posteriormente plantadas no concelho de São Pedro do Sul, em Viseu, um dos afectado pelos incêndios.

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Cada um dos carvalhos colocados esta quarta-feira na Avenida dos Aliados tinha o nome de uma das 18 vítimas mortais de violência doméstica Manuel Roberto
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"O carvalho é uma árvore forte, como fortes têm sido as mulheres que têm aguentado todo tipo de violências", disse Ilda Afonso, da UMAR Manuel Roberto
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As árvores serão posteriormente levadas para o concelho de São Pedro do Sul, em Viseu, um dos afectado pelos incêndios Manuel Roberto

As 18 mulheres assassinadas este ano em Portugal vítimas de violência doméstica foram esta quarta-feira homenageadas no Porto com a atribuição de uma árvore a cada uma delas.

"Uma árvore erguida por cada mulher caída", anunciaram as pessoas concentradas na praça da Liberdade, à medida que colocavam em 18 carvalhos os nomes de cada uma das vítimas.

"O carvalho é uma árvore forte, como fortes têm sido as mulheres que têm aguentado todo tipo de violências", disse Ilda Afonso, directora técnica do Centro de Atendimento e Acompanhamento a Mulheres Vítimas de Violência (P'ra ti) da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, no Porto.

Segundo Ilda Afonso, as árvores serão posteriormente levadas para o concelho de São Pedro do Sul, em Viseu, um dos afectado pelos incêndios, onde serão plantadas na época apropriada.

De laço lilás ao peito, cerca de uma dezena de pessoas homenagearam as 18 mulheres assassinadas. "Nem mais uma!" era a frase inscrita no laço que serviu como homenagem, mas também como forma de protesto pelo fim do femicídio.

"Pretendemos demonstrar o nosso descontentamento e protestar contra esta situação que em Portugal é dramática", segundo Vanessa Ribeiro, psicóloga e técnica de apoio à vítima no Centro de Atendimento P'ra Ti.

Ilda Afonso frisou que a sociedade tem de "começar a pensar nestes crimes, como crimes que não são justificáveis".

"É muito importante que se fale, que se informe, que se diga o que é que está a acontecer, para as pessoas terem consciência de que não querem isto na sociedade portuguesa", salientou a directora técnica do P'ra Ti.

Ilda Afonso adiantou ainda que no próximo dia 10 de Dezembro, Dia dos Direitos Humanos, será realizada, em São Pedro do Sul, distrito de Viseu, uma homenagem com a plantação de uma árvore num local da cidade.

Esta iniciativa integra na Campanha Internacional "16 Dias de Ativismo contra a Violência de Género", a que a UMAR se associou.