Arguido dos vistos gold: “Quis dar uma imagem acolhedora da administração pública”

António Figueiredo responde pelos crimes de corrupção, tráfico de influência e prevaricação.

Enric Vives-Rubio
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Enric Vives-Rubio

António Figueiredo, ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado e principal arguido da Operação Labirinto, disse nesta segunda-feira de manhã, em tribunal, que toda a ajuda que deu a amigos para que estes conseguissem autorizações permanentes de residência em Portugal teve como objectivo “dar uma imagem acolhedora da administração pública”.

Foi através deste antigo dirigente que os processos para a obtenção de vistos que diversos cidadãos de nacionalidade chinesa tinham no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras foram acelerados ou mesmo dispensados de serem instruídos com toda a documentação exigida por lei. 

António Figueiredo responde agora pelos crimes de corrupção, tráfico de influência e prevaricação. Continuará a prestar depoimento da parte da tarde. “Havia aqui uma componente de serviço público, independentemente de estar a ajudar um amigo”, justificou o ex-dirigente, salientando o contributo que com isso deu para o desenvolvimento do país. Apesar de o julgamento ter começado há nove meses, é a primeira vez que o principal arguido presta declarações.

“Era esse o conceito que eu tinha, ajudar quem precisa”, disse, acrescentando que chegou a fazer o mesmo com pessoas que não conhecia de lado nenhum. Não negou que, a certa altura, eram as secretárias quem tratava dos processos dos amigos.

A tese que apresentou, a de ter ajudado os candidatos a vistos gold de forma desinteressada não parece, porém, ter convencido o presidente do colectivo de juízes que o ouviu. “Nem toda a gente tem acesso ao gabinete do presidente do Instituto dos Registos e Notariado”, observou o magistrado.