Iogurte de aveia ao pequeno-almoço, queijo de sésamo ao jantar

Mónica Venda decidiu criar o seu próprio queijo e fundou a VeganChee.

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Mónica Venda sempre adorou comer queijo. Mas quando decidiu deixar de consumir “tudo o que eram produtos de origem animal” devido a problemas de saúde, o queijo deixou de ser uma opção na ementa. “Quando nos apercebemos que não é o melhor para nós nem para o planeta, sentimos necessidade de consumir alguma alternativa”, conta. Como nada do que encontrava era capaz de a satisfazer, a antiga engenheira do ambiente decidiu criar o seu próprio queijo e fundar a VeganChee.

“A ideia e a própria receita já têm mais de dois anos, mas só em Dezembro do ano passado é que começámos efectivamente a produzir para comercializar.” Primeiro, havia que dar a provar ao máximo número de pessoas e “perceber se havia realmente procura ou não” para um queijo vegano biológico, sem lacticínios, glúten ou quaisquer aditivos químicos, como conservantes, corantes ou aromas.

Ao contrário da maioria dos queijos veganos no mercado, feitos à base de leite de soja ou de amêndoa, Mónica escolheu as sementes de sésamo como ingrediente principal. “Quando pensava em leite e em queijo o que me saltava mais à mente era o cálcio e, como o sésamo é muito rico em cálcio, fui por aí”, conta. À bebida feita a partir das sementes, são misturados ingredientes como azeite, limão, leveduras e especiarias. O preparado é depois colocado em formas e curado durante algumas horas.

Actualmente, a pequena unidade de produção que Mónica instalou num anexo da casa, em Glória do Ribatejo, cria queijos com cinco sabores diferentes: tomate desidratado, azeitonas, nozes, pimenta caiena e mistura de especiarias. “O primeiro a nascer não foi nenhum destes”, ri-se. “Era um queijo simples, mas depois comecei a adicionar alguns extras e apercebi-me que havia uma maior tendência das pessoas para os de sabores e o outro acabou por cair por terra”, recorda.

A partir de Julho, a VeganChee também começou a produzir iogurtes. A ideia foi, mais uma vez, responder a uma carência do mercado. Apesar de já se encontrar alguma variedade de iogurtes vegetais, “a maioria é feita à base de soja, tem muito açúcar e não é probiótica”, defende Mónica.

A empreendedora de 37 anos decidiu, por isso, fugir da soja — “há cada vez mais pessoas intolerantes” —, adoçar o preparado com stevia e acrescentar probióticos. “São uma selecção de culturas de bactérias adequadas a bebidas vegetais e que são benéficas para o nosso organismo, porque ajudam o intestino a funcionar melhor, por exemplo.”

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Desta vez, escolheu a aveia como ingrediente base e, para diferenciar-se mais da concorrência, foi buscar combinações incomuns de sabores: beterraba e frutos vermelhos pelo “poder antioxidante”, cânhamo e spirulina “para ter mais proteína e ferro”, curcuma e pimenta preta pelas suas “propriedade antioxidantes”. Há ainda iogurtes com caju, com avelã e alfarroba, e com amêndoa, limão e canela. Como não são utilizados conservantes químicos, têm um prazo de validade de 25 dias. Quanto aos queijos, “neste momento têm 45 dias”, mas estão “a trabalhar para chegar aos 90”, revela. Todos os dias, são distribuídos “cerca de 300 iogurtes e 100 queijos” por 50 lojas, supermercados e restaurantes de Norte a Sul.