Professores propõem criação de uma disciplina de educação financeira

Ministério anunciou que a formação financeira entrará na nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, mas associação de professores defende que tal é insuficiente.

Secretário de Estado da Educação anunciou que a formação financeira será integrada na disciplina de Ciência e Desenvolvimento
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Secretário de Estado da Educação anunciou que a formação financeira será integrada na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Nuno Ferreira Santos

A Associação de Professores de Ciências Económico Sociais (APROCES) defendeu, nesta terça-feira, que seja criada “uma área disciplinar que promova, formalmente e de modo universal, a educação económica e financeira dos alunos” do ensino básico e secundário.

O secretário de Estado da Educação, João Costa, anunciou na segunda-feira que, a partir do próximo ano, a formação financeira vai ser leccionada em todas as escolas, na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, estando em preparação a formação de professores. Mas num comunicado divulgado nesta terça-feira, a APROCES sublinha que tal “não resolve o problema, uma vez que, para além de ser um tempo escasso, será sempre disputado por outras vertentes da educação para o desenvolvimento pessoal e social e não permitirá a construção de uma autêntica literacia financeira”.

A nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento foi criada no âmbito do projecto de flexibilidade curricular que este ano lectivo abrange 236 escolas. “Não nos passa pela cabeça que um aluno passe 12 anos pela escola sem adquirir conhecimentos relacionados com a formação financeira ou a educação rodoviária”, afirmou o governante, numa sessão onde foram anunciados os vencedores da 6.ª edição do concurso de literacia financeira “Todos Contam”, numa escola em Lisboa.

Num comunicado divulgado a propósito do Dia Mundial da Poupança, que se celebra nesta terça-feira, a APROCES lembra que o ensino obrigatório tem a duração de 12 anos, mas que durante este tempo a “imensa maioria” dos alunos passará pela escola sem ter “qualquer educação económica e financeira”. “Isto significa que, após aprendizagens dolorosas sobre o impacto de crises económicas nas nossas vidas individuais e nas nossas perspectivas de desenvolvimento colectivo, continuamos a condenar os nossos jovens aos riscos e perigos que resultam da iliteracia financeira”, frisa a associação.

Actualmente existe um Referencial de Educação Financeira, definido pela Direcção-Geral da Educação, no âmbito do qual são desenvolvidas iniciativas nas escolas promovida pelo Banco de Portugal, entre outras entidades. A este respeito, a APROCES refere que só “uma pequena amostra das escolas e uma minoria de alunos” beneficia destas actividades.

Por essas razões, a APROCES defende que seja criada no currículo escolar uma área disciplinar específica de educação económica e financeira, que “acompanhe todos os alunos, na sua progressiva integração na vida social, hoje como jovens consumidores, amanhã como trabalhadores, aforradores, investidores, decisores e contribuintes”.