O Citemor foi empurrado para o Outono mas está a recuperar

Tiago Cadete e David Marques, Miguel Bonneville e Elena Córdoba serão algumas das propostas da 39.ª edição, que decorrerá excepcionalmente fora do Verão: de 17 de Novembro a 9 de Dezembro.

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Romance, de Lígia Soares DANIEL PINHEIRO

Depois de anos em situação precária e de vertiginosa perda de apoios, não será em 2017 que o Citemor interrompe a programação. A 39.ª edição do festival de Montemor-o-Velho vai mesmo acontecer entre 17 de Novembro e 9 de Dezembro, numa época que lhe é estranha.

Habitualmente encaixado entre Julho e Agosto, este ano o festival de artes performativas não passou por Montemor-o-Velho no Verão. “Houve a necessidade de adequar o calendário aos programas dos apoio da DGArtes, que são o seu principal suporte”, explica ao PÚBLICO o director do festival, Armando Valente.

A DGArtes publicou o resultado dos concursos para apoios pontuais no final de Agosto e atribuiu 40 mil euros ao Citemor, uma das 15 estruturas contempladas com apoio à criação artística. “Os resultados provisórios saíram em Julho, mas não tínhamos condições para avançar com o festival. Era muito em cima e não tínhamos liquidez”, diz o responsável. Duas residências artísticas tiveram lugar em Agosto, mas o Citemor teve de ser adiado.

Com dez espectáculos e uma instalação vídeo, a programação deste ano comportará estreias nacionais e alguns regressos ao festival que passa por Montemor-o-Velho, Coimbra e Figueira da Foz. Miguel Boneville, assim como David Marques e Tiago Cadete, estiveram em residência artística em Agosto e regressam ao Citemor para apresentar Notas de um Primata Suicida, no dia 18, e Apagão, no dia 23, respectivamente. O dois espectáculos têm lugar no Teatro Esther de Carvalho.

A artista espanhola Edurne Rubio traz Light Years Away ao Teatro da Cerca de S. Bernardo, em Coimbra, no dia 2 de Dezembro. Elena Córdoba estreia El Nacimiento de la Bailarina Vieja a 7 de Dezembro na Garagem Auto Peninsular da Figueira da Foz. Com Barco Dance Collection, Dinis Machado leva ao Citemor no dia 25 um programa adaptado a Montemor, que envolve quatro horas de dança compostas por sucessivas coreografias de vários criadores. Lígia Soares, com Romance, Rui Catalão, com Assembleia, e Bruno Humberto, com A Morte da Audiência, são outras das propostas desta edição.

Para além da perfomance, da dança e do teatro, o Citemor conta com uma componente musical. Os Lavoisier tocam no Teatro Esther de Carvalho no dia de abertura e os First Breath After Coma encerram a programação com um concerto na Garagem Auto Peninsular.

Programar o festival entre Novembro e Dezembro implicou vários entraves, refere Armando, como articular as disponibilidades dos artistas com a rede de espaços onde o Citemor tem lugar. Vários deles são ao ar livre, pelo que “não são viáveis nesta altura do ano”. O Outono obrigou ainda a refazer a equipa, devido à indisponibilidade de vários membros. O natural, afirma Armando Valente, “será o festival regressar ao Verão nas próximas edições”.

Apesar de um apoio tardio, o financiamento da DGArtes até duplicou em relação ao ano passado, quando a Secretaria de Estado da Cultura atribuiu 20 mil euros ao Citemor através do Fundo de Fomento Cultural. Os 40 mil euros já permitem “recuperar alguma capacidade de produção”, considera o director. No entanto, este é ainda um valor distante dos 200 mil euros de orçamento geral que o festival já teve em edições anteriores.

A estrutura quer voltar a receber financiamento permanente da DGArtes para poder cumprir a sua missão, que esteve sempre “associada à produção de obras novas”. “O contributo para um repertório contemporâneo conjugado com a utilização de espaços não convencionais exige um trabalho continuado para estabelecer uma programação anual”, considera Armando Valente. Tal como nas edições mais recentes, será o espectador a definir o valor do bilhete.