Foi você que pediu um soufflé com cocaína?

Chef Gordon Ramsay diz que o uso de droga na alta cozinha é algo cada vez mais normal. E conta que o irmão, viciado em heroína, viajou para Portugal há seis meses e não soube mais nada dele.

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Gordon Ramsay Reuters/MARIO ANZUONI

Não está no menu, mas a cocaína é cada vez mais um ingrediente comum nos restaurantes internacionais de alto nível e o seu uso está “fora de controlo”. Quem o diz é Gordon Ramsay, que descreve mesmo aquela droga como “o segredo de polichinelo da hospitalidade da indústria” gastronómica.

Numa entrevista à Radio Times citada pelo Guardian, o chef britânico conta que num jantar de caridade um casal lhe pediu para polvilhar o soufflé da sobremesa com cocaína, disfarçada no meio do açúcar em pó. “Já cozinhei coisas muito estranhas, mas nada a este nível.”

O célebre (e mal-humorado) cozinheiro está a promover o seu novo documentário que estreia na ITV na próximo dia 19, Gordon Ramsay on Cocaine, cuja ideia lhe surgiu no Natal passado num dos seus restaurantes quando um cliente levou um prato para a casa-de-banho para snifar cocaína e depois o devolveu ao empregado pedindo um prato lavado. “O episódio levantou-me o dilema sobre até onde isto está a ir e a pressão com que os restaurantes têm que lidar da parte dos clientes.”

Gordon contou ainda à Radio Times que desde então fez testes nas casas-de-banho dos seus 31 restaurantes espalhados pelo mundo e que só num deles não descobriu qualquer vestígio de cocaína.

Ramsay tenciona que o documentário seja um alerta sobre o uso abusivo de drogas - de que ele tem, aliás, alguma experiência pessoal: um dos seus chefs morreu em 2003 por abuso de cocaína e o seu irmão mais novo, Ronnie, é viciado em heroína há muitos anos. Depois de já ter estado preso na Indonésia e de várias tentativas de reabilitação (para as quais Gordon contribuiu), Ronnie viajou para Portugal há seis meses e Gordon diz que não soube mais nada dele desde então, descreve o Guardian.

Ah, e sobre o soufflé do jantar de caridade? Ramsay diz que se riu do pedido do casal (que dizia estar deliciado por o conhecer pessoalmente), foi à cozinha, espalhou apenas açúcar em pó sobre o soufflé e deitou-lhe caramelo por cima para que não percebessem se tinha coca ou não. Virou-o ao contrário sobre o prato de servir e saiu porta fora. “Nem lhes disse adeus.”

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