Sushic de regresso a Almada com jardim e um niguiri punk

Depois de um período encerrado, o restaurante que se tornou famoso em Almada tem agora uma nova morada, no Museu da Cidade.

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A sala do Sushic, que tem também uma esplanada no jardim do Museu da Cidade,A sala do Sushic, que tem também uma esplanada no jardim do Museu da Cidade ,
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Suzukuri de salmão
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Camarão de casca mole em coentrada

Quando se trata de cozinha japonesa, podemos ser totalmente puristas e defensores do tradicional ou podemos estar abertos a invenções e a cruzamentos de influências — e, claro, podemos sempre ser uma coisa um dia e outra no outro.

Os clientes do Sushic, explica Hugo Ribeiro, o proprietário do grupo (que inclui espaços em Lisboa no Palácio do Chiado, no Mercado de Algés, no Altis Belém, nas Amoreiras, com o Bao, e agora novamente em Almada), pertencem ao segundo grupo e esperam sobretudo brincadeiras que misturem sabores portugueses e técnicas japonesas. É isso, portanto, que ocupa a equipa de chefs e o próprio Hugo, que continua a envolver-se na criação de novos pratos.

Um exemplo: no novo espaço que abriu há alguns meses no jardim do Museu da Cidade, em Almada — a cidade-mãe do Sushic, onde surgiu e ganhou fama o primeiro restaurante do grupo, encerrado em Setembro de 2016 —, a carta incluía duas tempuras. Mas, explica Hugo, eram iguais às que se encontram noutros lados, com vegetais e gambas. “O cliente olhava e dizia ‘Isto não é Sushic’”. Precisavam de uma ideia diferente.

E tiveram duas: a primeira é uma tempura de vegetais sobre um caril amarelo tailandês, com cogumelos shitake salteados e um pouco de lima para dar acidez; a segunda é uma tempura leve de caranguejo de casca mole servido numa coentrada. “Partimos de um prato típico português, o cação de coentrada, e mudámos a proteína”, resume Hugo. O molho leva ainda alga nori e um toque de vinagre de vinho branco.

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O niguiri de pregado, chamado punk

“Este espaço é um work in progress, vai sempre haver algo de novo e diferente”, prossegue. É aqui que funciona a cozinha principal de todo o grupo e que se recebe o peixe e o marisco. À mesa chega o couvert, que inclui um tártaro de três peixes, uns chips de nori e um chutney de kimchi. Depois vêm dois suzukuris, cortes de peixe mais finos que os do sashimi. Um deles, de corvina, com lardo de porco preto braseado, crocante de broa de milho, malagueta e coentros; o outro de salmão marinado em molho ponzu com pickles de sementes de mostarda em kumquat.

O cruzamento com Portugal é a principal aposta do Sushic mas as outras cozinhas asiáticas estão também presentes em muitos pratos, como as guiozas de frango thai, que o empregado coloca à nossa frente. Para finalizar, Hugo pede para servirem alguns dos niguiris mais criativos da casa. Um deles é de sardinha, ligeiramente braseada, com azeite de alecrim, pimento assado e broa de milho — “a nossa versão santos populares”.

O outro foi baptizado como niguiri punk porque sobre o arroz está uma barbatana de pregado, a parte mais gorda e saborosa do peixe, que vem ligeiramente levantada e braseada fazendo lembrar a crista no cimo da cabeça de um punk old school. Por último, o niguiri de despedida: doce de cereja do Fundão, foie gras e carne wagyu a desfazer-se na boca.

Entre as novidades que acompanham esta reabertura do Sushic Almada numa nova morada (o acesso é muito fácil para quem vem de Lisboa e há estacionamento em frente) está o brunch de domingo, a começar em breve. Nesse dia, em que o jardim do museu está por conta do restaurante, explica Hugo, só é servido o brunch, que inclui buffet de sushi, uma estação de ovos “com ovos loucos”, saladas, sumos detox, pão, croissants e ainda um prato de peixe e um de carne. Quando a Fugas visitou o local, estavam a ser dados os últimos retoques no novo Menu Arte Xávega, que utiliza peixes do concelho capturados através da pesca artesanal. Para homenagear a região e descobrir, por exemplo, o que acontece quando a amêijoa da Trafaria ou o carapau manteiga da Fonte da Telha encontram os sabores japoneses.

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O couvert com chips de nori, tártaro de peixe e chutney de kimchi