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Comboio de Sal e Açúcar é o candidato moçambicano aos Óscares

O filme de Licínio Azevedo que se estreou esta quinta-feira em Portugal é a primeira submissão do país africano aos prémios da Academia.

O filme centra-se numa viagem de comboio
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O filme centra-se numa viagem de comboio nos anos 1980 DR

Segundo a Ukbar Filmes, a produtora do filme, Comboio de Sal e Açúcar, do brasileiro radicado em Moçambique Licínio Azevedo, é o candidato moçambicano aos Óscares. É a primeira vez, adianta ainda a produtora, que Moçambique submete um filme à Academia para a corrida aos Óscares.

O filme chegou aos cinemas portugueses esta quinta-feira, depois de ter sido exibido em Junho em Moçambique, e centra-se numa viagem de comboio pelo país africano em plena guerra, nos anos 1980.

Em declarações ao PÚBLICO, o realizador, em Portugal para promover o lançamento do filme, explicou que é "preciso estar claro" que é só uma submissão, mas que "é uma grande paz" acontecer algo do género. "É a primeira vez que um filme moçambicano, e um dos poucos africanos, é submetido aos Óscares, foi a primeira vez que foi criado um comité em Moçambique, com pessoas muito importantes do cinema, para seleccionar um filme e submeter", diz.

"Foi aceite ontem [quarta-feira], em Los Angeles, para eventualmente ser nomeado", adicionou, lembrando que o filme "já ganhou vários prémios" e que, para ele, "o mais importante é a recepção que o filme tem vindo a ter por parte do público desde que se estreou em Locarno para 4500 espectadores, uma das raras vezes que um filme africano foi apresentado na Piazza Grande".

"Passou em Maputo e ficou quatro semanas em cartaz, teve praticamente um recorde de público, concorreu com produções norte-americanas", sublinha, algo que o leva a concluir que "as pessoas estão ávidas de ver filmes sobre elas, que contem histórias africanas, e principalmente, um filme moderno, que consegue ligar o cinema africano com o público", sendo uma "história de amor com um final trágico, como quase todas".