Facebook faz finalmente a sua investida na televisão

Rede social estreia esta quinta-feira, para já só nos EUA, o Watch. Plataforma de vídeo terá programação original, com muito desporto e reality TV.

O serviço deverá ser alargado a todo o mundo
O serviço deverá ser alargado a todo o mundo Reuters/MICHAEL DALDER
O conteúdo passa sobretudo por reality TV
O conteúdo passa sobretudo por reality TV Facebook
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O mercado televisivo continua em expansão e o Facebook quer tornar-se num dos seus players com o novo serviço – o Watch terá conteúdos de curta duração produzidos por nomes já estabelecidos no mercado, mas também directos de basebol e, para já, quase exclusivamente conteúdos de reality TV. O serviço só estará disponível para os utilizadores dos EUA a partir desta quinta-feira, mas será depois alargado a todo o mundo.

A rede social há muito parecia estar na senda da produção e streaming de conteúdos de vídeo originais ou de produtores externos, tendo-se confirmado na quarta-feira que vai mesmo avançar com o Watch. A funcionalidade estará disponível num novo separador, tanto nas versões para computador como nas aplicações móveis, e ainda nos serviços de televisão que tenham a aplicação do Facebook. É a movimentação mais significativa da empresa “para competir no mercado televisivo”, como classifica a agência Reuters.

Na esteira do Facebook Live, que permite transmitir vídeo em directo, o Watch quer ser um agregador de pessoas “em torno do vídeo, sejam amigos ou comunidades de amigos online”, como explicou à revista Hollywood Reporter Fidji Simo, vice-presidente da secção de produto no Facebook. Zuckerberg, por seu turno, publicou na sua página que o Watch permitirá “conversar e estabelecer ligações com pessoas durante um episódio e aderir depois a grupos de pessoas que gostam dos mesmos programas para construir uma comunidade”. Zuckerberg evoca assim algo que já acontece espontaneamente nas redes sociais, no YouTube – e na Internet e vida em geral –, à volta de produtos culturais ou desportivos que geram discussão e interesse.

Apesar dessa ideia repetida de comunidade, o Watch quer também personalização, ou seja a possibilidade de cada perfil e cada utilizador ver e organizar a sua lista e visionamentos. Para já, e para os utilizadores americanos que primeiro testarão o serviço, o Facebook Watch terá o que a imprensa norte-americana quantifica como “várias centenas” de títulos produzidos por terceiros, sobretudo na reality TV.

Mesmo na produção própria, segundo uma porta-voz da empresa disse à revista Variety, o Facebook já fez duas encomendas de títulos originais e exclusivos. A reality TV é um género menos caro de produzir do que a ficção e a rede social tem na calha Ball in the Family, sobre a família de LaVar Ball, pai de três jovens jogadores-sensação de basquetebol, e Returning the Favor, com Mike Rowe. Além dos menores custos de produção, e como nota Olivia Solon no Guardian, "ao atrair e receber programação original, o Facebook dá aos utilizadores um motivo para passarem mais tempo" com ele, "tempo que pode ser usado para lhes mostrar mais anúncios", o que produz por seu turno mais receitas para a empresa de Zuckerberg. 

Em simultâneo com o serviço Watch, o Facebook está a introduzir as Show Pages que reúnem todos os episódios, informação e debates sobre um programa. No futuro, o objectivo é que qualquer utilizador da rede social com uma ideia original possa juntar-se ao grupo de criadores de conteúdos (um pouco à semelhança do Youtube) e criar a sua própria página.

Os interessados, que por enquanto têm de residir nos Estados Unidos, já podem preencher uma proposta de série original para ser avaliada. Os temas disponíveis vão desde a política, guias de bricolage, videojogos, conselhos amorosos, aos tradicionais vlogs. Também como no Youtube, eventualmente, “os criadores devem poder monetizar os espectáculos através de publicidade”. Os criadores também vão poder criar conteúdo patrocinado.

Entre as séries de curta duração que vão inaugurar o serviço estão então reality shows, concursos, magazines e até transmissões em directo da Liga de Basebol (algo que já fazia), além de programas sobre a WNBA e o a última época, vitoriosa, dos campeões da NBA Golden State Warriors. Celebridades a rever as suas páginas na Wikipedia, celebridades que têm filhos, celebridades das redes sociais, celebridades de blogues de viagens (Nas), a celebridade Jessica Alba e o seu programa de vida saudável ou músicos célebres a contar histórias sobre a criação dos seus êxitos. Há uma série sobre futebol americano de liceu, a National Geographic explica por que é que We’re Wired that Way e ainda um olhar sobre a vida empresarial do ex-rapper Russell Simmons.

São produzidos pelas editoras das revistas Condé Nast, Hearst ou Billboard, pela Time Inc. ou por produtoras digitais como a de Simmons, além das ligas desportivas de basebol, basquetebol feminino ou de surf. No futuro, a ideia é ter programas de maior destaque e “qualidade televisiva”, como categoriza a Hollwyood Reporter. Esse mercado, cujo símbolo era um aparelho, o televisor, tem múltiplas plataformas de distribuição e consumo, todas concorrentes do Facebook neste campo, dos canais generalistas aos por subscrição, passando pelos serviços de streaming e ainda paltaformas como o YouTube.

O Facebook tem cerca de 1,9 mil milhões de utilizadores em todo o mundo. Esta semana, o gigante Disney, que produz e distribui tanto no cinema quanto na televisão, entre muitas outras actividades negociais, anunciou também a criação de um serviço de streaming próprio. com Karla Pequenino