Dois opositores de Maduro novamente detidos durante a madrugada

Leopoldo López e Antonio Ledezma estavam em prisão domiciliária e foram retirados de casa durante a madrugada desta terça-feira, sem explicações.

Leopoldo López foi condenado em 2013
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Leopoldo López foi condenado em 2013 Reuters/ANDRES MARTINEZ CASARES

Dois dos líderes da oposição ao regime da Venezuela foram detidos durante a madrugada desta terça-feira pelas autoridades venezuelanas, sem explicações. Os dois homens estavam já em prisão domiciliária pela sua oposição a Nicolás Maduro. A notícia foi avançada pela mulher de Leopoldo López, Lilian Tintori, um dos detidos, através da sua conta de Twitter. Também Antonio Ledezma, em prisão domiciliária desde 2015, foi retirado da sua habitação esta madrugada de terça-feira. As detenções foram efectuadas pelo Serviço Bolivariano de Informações, escreve o El País.

A notícia surge num contexto em que Maduro avisou que iria levantar a imunidade parlamentar de vários deputados e reestruturar o Ministério Público. As medidas foram anunciadas depois de este domingo ter sido aprovada a Assembleia Constituinte, através de uma eleição que ficou marcada por episódios de forte violência e pelo menos dez mortes.

De acordo com fontes citadas pelo El Mundo, López terá sido levado para a prisão de Ramo Verde, onde esteve preso três anos e meio. A sua mulher, Lilian Tintori, alega não lhe ter sido explicado o que estava a acontecer. “Não sabemos onde está nem para onde o levam. Se se passar alguma coisa, Maduro é o responsável”, asseverou.

Minutos depois, partilhou imagens recolhidas pelo que parece ser uma câmara de segurança e que captou o momento em que Leopoldo López foi retirado de casa.

O líder da oposição ao regime de Maduro saiu da prisão no início do mês, por motivos de saúde, e foi enviado para casa, em regime de prisão domiciliária, como uma “medida humanitária”. Leopoldo López, de 47 anos, foi condenado em 2015 a 13 anos e nove meses de prisão ao ser considerado culpado de instigar as manifestações de 2014, em que morreram 43 pessoas. 

A detenção de Antonio Ledezma foi confirmada pelo deputado da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Richard Blanco.