Pedrógão: mortes poderiam ter sido evitadas se vítimas tivessem ficado em casa

TSF avança conclusão preliminar do estudo encomendado pelo Governo sobre o que se passou em Pedrógrão Grande.

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A maioria das vítimas mortais de Pedrógão Grande morreu ao tentar fugir de casa e, se tivesse ficado, as hipóteses de sobrevivência eram maiores. Esta é uma das primeiras conclusões do estudo que foi encomendado pelo Governo, liderado por Xavier Viegas, e que está a trabalhar numa investigação sobre o que se passou em Pedrógrão Grande.

As conclusões finais da investigação deverão ser entregues em Outubro, mas as informações recolhidas durante o primeiro mês de trabalho dizem que a decisão de abandonar as aldeias foi a razão pela qual o número de vítimas mortais chegou às 64 pessoas, avança a TSF.

Sem assumir esta conclusão como uma “regra absoluta”, Xavier Viegas, especialista em incêndios florestais e coordenador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, afirma que as vítimas teriam tido “mais hipóteses de sobrevivência se tivessem ficado em casa”.

“As autoridades encontraram casas destruídas, mas muitas delas estavam intactas, mesmo tendo ficado vazias” e sem ninguém para as proteger. Estas primeiras observações conduzem à conclusão de que, no caso de existir um incêndio perto, a decisão de abandonar o local deve ser ponderada. “Quando não há condições para se retirar com segurança, as pessoas não se devem fazer à estrada”, sublinha.

Dias depois da tragédia em Pedrógão Grande, em declarações ao PÚBLICO, o presidente da Associação de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (Asprocivil), Ricardo Ribeiro, sublinhava que, em caso de incêndio, é importante saber como agir, quer na prevenção, quer no momento, para aumentar a segurança e reduzir o nível de ameaça e citou alguns conselhos.

Na última semana, a equipa coordenada por Xavier Viegas pediu testemunhos a quem passou pela experiência de Pedrógão Grande. A adesão tem sido muito forte. O grupo de trabalho tem recebido cerca de dez mensagens por dia.

“Um australiano, com uma casa na zona, fez questão de recolher depoimentos, que ilustrou com fotografias”, elogiou o coordenador. Um outro casal fez um trabalho semelhante, com um relato de tudo o que fizeram nesse dia. Um documento muito bem feito, com fotografias e anexos de vídeos”, exemplificou.

Agora, o estudo deverá também tentar perceber o que levou as pessoas a sair de casa. As conclusões finais deverão estar prontas em meados de Outubro.

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