Há um ano André Ventura já dizia não ser racista, mas…

Nas redes sociais, o candidato a Loures já tinha escrito: “Não vejo outra solução que não seja a redução drástica da presença islâmica na União Europeia”.

O PSD e o PPM mantêm o apoio à candidatura à câmara de Loures de André Ventura. O CDS retirou-a
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O PSD e o PPM mantêm o apoio à candidatura à câmara de Loures de André Ventura. O CDS retirou-a LUSA/NUNO FOX

A bola de neve só agora começou a rolar encosta abaixo, mas há já um ano, pelo menos, que o candidato do PSD à Câmara de Loures, André Ventura, diz não ser racista. Neste caso: “Não sou nem nunca fui racista ou xenófobo”, começa por dizer antes de defender “a redução drástica da presença islâmica na União Europeia”. 

A publicação está no Facebook e tem data de 18 de Julho de 2016. Nela lê-se o seguinte: “Não vou negá-lo ou escondê-lo para ser politicamente correto. Apenas para antecipar reacções, vou sublinhar: não sou nem nunca fui racista ou xenófobo. Nunca pertenci ou espero pertencer a um grupo que tal defenda ou advogue. Mas este tipo de terrorismo que vimos em Orlando ou em Nice obriga-nos a um olhar diferente sobre as comunidades islâmicas na Europa. Poderemos fazer qualquer prevenção que seja, quando estas comunidades são, em alguns países, de milhões de habitantes ou, em algumas cidades, 25% da população? Creio que não...e por isso mesmo não vejo outra solução que não seja a redução drástica da presença islâmica na União Europeia.”

O post servia para lançar um artigo de opinião publicado no Correio da Manhã, no qual o candidato à autarquia de Loures defendia, a propósito do atentando de Nice, que “há momentos em que o cinismo e o politicamente correcto não servem, de todo, para analisar os acontecimentos”. Mais à frente, escrevia o seguinte: “Os poucos passos estão cumpridos e estão reunidos os requisitos para que uns poucos homens de barba e túnicas negras, lá longe na Síria, reivindiquem os ataques. Não sejamos cínicos: este terrorismo individualizado e desorganizado levanta sérios problemas à integração das comunidades islâmicas na Europa. Não havendo um processo de radicalização ou de adesão doutrinária, qualquer um, de raízes muçulmanas ou convertido, se torna uma potencial ameaça.”

E concluía, já na sua cruzada contra o que considera ser o “politicamente correcto”: “Já não vale nem basta o discurso habitual: não se pode confundir a parte pelo todo, são apenas alguns dentro da comunidade, nada tem a ver com religião! Não deixam de ser ideias verdadeiras e coerentes, mas não resolvem o problema. Pode ser polémico e politicamente incorrecto, mas não vou deixar de o dizer: é fundamental reduzir drasticamente a presença e a dimensão das comunidades islâmicas dentro da União Europeia. Não é só uma questão de segurança, mas de sobrevivência da nossa democracia.”

As declarações que André Ventura proferiu nas últimas semanas sobre a comunidade cigana têm vindo a levantar polémica e provocado indignação tanto à esquerda, como à direita, por serem consideradas racistas. O CDS, que concorria coligado com o PSD e o PPM à autarquia de Loures, desistiu da candidatura e rompeu com a coligação, depois de ter tentado em vão convencer o PSD a mudar de candidato.

Só que o PSD até agora não recuou no apoio. Para o presidente social-democrata, Passos Coelho, André Ventura já esclareceu o que quis dizer sobre a comunidade cigana. Acontece que André Ventura, como confirmou o próprio ao PÚBLICO, nunca retirou o que disse, limitou-se a tentar justificar o que disse. Afirmações que fez ao jornal i ou ao site Notícias ao Minuto como “a etnia cigana, quer em Loures quer no resto do país, tem de interiorizar o manual do Estado de Direito” ou “temos tido uma excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas”.

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