Valença e Tui cortam fronteiras com dez pianos em cima da ponte

Concerto marca, esta sexta-feira, o início do festival de música IKFEM, que termina terça-feira.

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A ponte de Valença-Tui vai estar encerrada PAULO RICCA

A pianista Andrea González nasceu em Tui, mas já correu a Europa a tocar. Nessas viagens viu espetáculos espelhados pelas ruas e pensou: “Eu tenho formação musical. Por que razão não trazer isto para a minha terra?”. E assim foi. Em 2013 nasce o IKFEM (International Keyboard Festival & Masterclass). Cinco anos depois, a Eurocidade Valença-Tui a recebe-o pelo quinto ano consecutivo, com uma novidade: um concerto com dez pianos na ponte que une as duas margens do Rio Minho. 

Ao PÚBLICO, Andrea González, pianista e organizadora do festival sublinha o “momento de festejo” que, entre 21 e 25 de Julho, vai decorrer naquela região raiana. “Este festival celebra a união a nível musical entre estas regiões. É um momento de encanto”, afirma.

Mas a simbiose não acontece somente quando os instrumentos de teclas – que irão predominar durante os cinco dias de festival – começarem a ecoar pelas igrejas e palcos improvisados da região. Há também a união entre povos que com o pretexto da arte, se cruzam. “Juntam-se aqui peregrinos que atravessam o Caminho de Santiago, por exemplo”.

O símbolo maior dessa convergência acontece no dia de abertura do IKFEM. Dez pianos ocuparão a Ponte Rodo-Ferroviária de Valença, que corta o Rio Minho e liga os dois países. São 300 metros de alcatrão que na sexta-feira ficarão preenchidos com música a partir das 20h30 (o que obrigará a limitar o tráfego automóvel a apenas uma faixa, na travessia, a partir das 15 horas). Um desses pianos será o de Andrea González, os outros estarão nas mãos de músicos de Vigo, Porto ou Lisboa. “É a primeira vez que acontece. Vai ser excepcional”, conta a organizadora. Fica assim cumprida, de forma literal, um dos desejos que Andrea González trouxe das viagens: “Cortar fronteiras”.

Mas o festival não se faz só de concertos espalhados pelas duas cidades raianas. Há também uma componente pedagógica. O IKFEM quer mostrar o que une o Norte de Potugal à Galiza, mas também quer ensinar. Já se formaram mais de 80 estudantes, de nove países, que depois ganharam prémios internacionais.

Alguns deles regressam como convidados e apresentam-se ao serviço até dia 25 de Julho, data de fecho do festival, cujo programa pode ser encontrado aqui. O facto de se celebrar o Dia da Pátria Galega nesse dia, acaba por ser, segundo a organizadora, uma coincidência agradável. O festival foi crescendo gradualmente, ganhando mais apoios, mas sempre se manteu fiel à ideia de Andrea. Para o futuro, a pianista guarda algumas ideias. “Um palco no meio de um rio ou de um ribeiro”, atira.

Este ano, porém, a convergência ficará uns metros acima das águas do Rio Minho. O acesso ao festival é gratuito e juntará a música de pianistas como Carlos César Rodriguéz, Daniel Pereira, Miguel Campinho, Emilio Villalba & Sara Marina, a masterclasses e workshops, também de acesso gratuito.

Texto editado por Ana Fernandes

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