Ao segundo dia Glastonbury rendeu-se aos Foo Fighters e a… Jeremy Corbyn

O líder do Partido Trabalhista subiu ao palco antes da actuação dos Run The Jewels. Na véspera, já os Radiohead tinham criticado a primeira-ministra britânica, Theresa May.

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Dylan Martinez/Reuters

O histórico Glastonbury, em Inglaterra, sempre foi um festival com tendências políticas. Principalmente, à esquerda. Mas talvez essa propensão nunca tivesse sido tão explícita como na edição deste ano. Na noite de sexta-feira, os cabeças-de-cartaz Radiohead já haviam sido críticos em relação à primeira-ministra britânica Theresa May, perante o delírio da multidão. E este sábado a mesma multidão voltou a vibrar com o principal opositor de May, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn.

Foi antes do concerto dos americanos Run The Jewels que Corbyn subiu ao palco, perante os aplausos do público, que o ouviu durante 15  minutos a discursar abordando, entre outros temas, o desemprego, o aquecimento global, os refugiados, o incêndio que ocorreu num prédio em Londres ou a xenobofia. “Devemos adoptar uma máxima na vida: todos os que conhecemos são únicos, sabem algo que não sabemos, e, de alguma maneira, são um pouco diferentes de nós. Não os vejam como ameaça ou como inimigos. É preciso que os vejam como fonte de conhecimento, fonte de amizade e fonte de inspiração,” afirmou o líder trabalhista, perante o entusiasmo da multidão, avaliada em cerca de cem mil pessoas.

Mas nem só de Jeremy Corbyn viveu o segundo dia do festival que, musicalmente, tinha como grande atracção os americanos Foo Fighters – que por cá serão cabeças-de-cartaz no NOS Alive, a 7 de Julho.  A banda americana voltou a interpretar temas como Run, que fará parte do seu próximo álbum, Concrete And Gold, e que constitui um dos momentos altos do concerto. Mas existiram outros, como quando 150 mil pessoas cantaram em uníssono Best of you, um dos temas mais conhecidos do grupo, motivando elogios de Dave Grohl. "Era exactamente isto que esperava que acontecesse!", afirmou o cantor. 

O festival começou na sexta-feira com um discurso de Johnny Depp na inauguração do Cineramageddon (um novo espaço de drive-in) em que Donald Trump não foi esquecido  "Há quanto tempo um actor não mata um presidente?", perguntou, aludindo ao assassinato de Abraham Lincoln em 1865, para ressalvar de seguida: "Eu não sou um actor, eu minto como meio para sobreviver. De qualquer forma, já foi há muito, muito tempo." Os últimos concertos têm lugar este domingo, com nomes como Ed Sheeran, Chic, Barry Gibb ou Laura Marling.