Uma onda de solidariedade “estonteante” está a chegar a Pedrógão Grande

Quantidade de mantimentos já gera problemas logísticos. Há várias contas de solidariedade abertas. A da Caixa Geral de Depósitos ultrapassou o meio milhão num dia.

Em Pedrógão, a ajuda não tem parado de chegar
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Em Pedrógão, a ajuda não tem parado de chegar REUTERS/Miguel Vidal

O presidente da Caritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, usa a expressão “estonteante” para descrever a onda de solidariedade que se seguiu aos incêndios de Pedrógão Grande. “As necessidades de emergência estão acauteladas. É importante que esta solidariedade não esfrie porque há um amanhã”, diz.

A solidariedade não apaga a dor de quem perdeu familiares, amigos ou bens, mas essa dor “seria bem mais funda se as pessoas não se sentissem envolvidas nesta dinâmica, nas palavras e nos gestos de apoio dos seus concidadãos”, comenta. Não serve só para satisfazer necessidades básicas, também para criar esperança.

Logo nesta segunda-feira, o Presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, pediu a suspensão das doações de bens alimentares e medicamentos para os bombeiros. Esgotara-se o espaço no quartel de Pedrógão Grande, no de Castanheira de Pera, no de Figueiró dos Vinhos. A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, lançou um apelo semelhante. "O facto de as pessoas estarem a dar muitos mantimentos está neste momento a causar-nos algumas dificuldades de logística, porque ficámos com excesso de alimentação", declarou.

A Associação Empresarial da Beira Baixa disponibilizou um armazém de mil metros quadrados. E Sónia Azevedo, assessora da direcção, diz que aquela entidade tem outro armazém de três mil. Podem armazenar bens alimentares não perecíveis, vestuário, lençóis, mantas, toalhas, mobiliário, electrodomésticos, materiais de construção diversos, equipamentos e materiais agrícolas recolhidos por outros. Aliaram-se à delegação da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e ao Banco Alimentar de Castelo Branco, que fará a gestão das doações.

Segundo Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, as estruturas de Leiria e de Coimbra também estavam prontas para ajudar cooperações de bombeiros, juntas de freguesia e câmaras municipais a tratar da logística. “É preciso fazer a triagem, o acondicionamento, ter as condições apropriadas para armazenar o que foi doado, garantir que os bens chegam às famílias.”

O que não levanta problemas de logística é dinheiro. A Caritas Portuguesa adiantou 200 mil euros e a Caritas de Coimbra outros 100 mil e abriram uma conta solidária na Caixa Geral de Depósitos (IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54). E logo na primeira noite trataram de comprar os agasalhos em falta.

Isto é só o princípio. “Há que limpar tudo o que é terreno, porque há uma vastidão de cinzas. E há que criar condições para as pessoas voltarem a casa”, enfatiza Eugénio Fonseca. Fala na reconstrução de habitação, mas também de empresas, porque “as pessoas precisam de retomar a sua actividade profissional para terem a sua autonomia”.

Várias entidades abriram contas. Esta segunda-feira, o Banco Santander Totta abriu uma com uma verba de 500 mil euros (IBAN PT50001800034483236802039). No domingo, a Caixa Geral de Depósitos anunciara uma, com 50 mil euros (IBAN PT50 0035 0001 00100000330 42). Segunda-feira à noite já contava 500 mil. O Novo Banco também abrira uma conta com 50 mil euros (IBAN PT50 0007 0000 003404619502). O Millennium BCP outra, mas não revelou qualquer montante de base (IBAN PT50 0033 0000 45507587831 05).

Eugénio Fonseca não vê mal nesta multiplicação de contas. “As pessoas fazem as doações de acordo com a confiança que têm nas instituições”, lembra. “Caberá ao Governo articular para não andarmos todos a fazer o mesmo.” Parece-lhe importante também verificar, depois, se o dinheiro é usado onde é suposto.