Cariocas “cada vez mais abertos” a experiências com vinhos portugueses

Já reconhecem algumas castas, gostam de novidades, estão mais disponíveis para experimentar vinho branco – produtores presentes no Vinhos de Portugal no Brasil satisfeitos com a reacção do público brasileiro.

Sibila Lind
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“Qual é a uva?”. O homem aproximara-se do espaço da produtora Caminhos Cruzados, do Dão, na quarta edição do mercado Vinhos de Portugal no Brasil (de 2 a 4, no Rio de Janeiro), perguntando o que poderia provar. Lígia Santos, a produtora, aproveitou a oportunidade para fazer aquilo que tenta fazer sempre: dar a provar os brancos.

A “uva” – é assim que os brasileiros chamam às castas – era o Encruzado. “Tem uma boa acidez, o que significa que é um vinho com longevidade”, explica Lígia. “Ah, um vinho de guarda”, comenta o interlocutor brasileiro. Isso mesmo. Uma pausa e o homem prossegue: “O Dão era uma região conhecida por vinhos mais populares, mas está mudando, não é?”.

Afastamo-nos, deixando-os a conversar, mas o pequeno diálogo a que assistimos confirma o que Lígia – um dos 72 produtores presentes – nos dissera minutos antes: em comparação com a edição anterior do Vinhos de Portugal em que esteve presente, em 2015 (no ano passado não veio), sente que o público está mais conhecedor e mais interessado. “As pessoas vêm cada vez mais numa perspectiva de prova. E noto mais abertura para experimentarem os brancos.”

É exactamente essa a opinião de Anselmo Mendes, produtor da região dos Vinhos Verdes, presença habitual nos eventos e conhecedor da realidade brasileira há muitos anos. “As pessoas já vêm e pedem um Alvarinho. Ainda ficam um pouco confusas com a região, mas identificam perfeitamente a casta.”

Outro aspecto que considera muito importante no Vinhos de Portugal no Brasil é a possibilidade de o consumidor final contactar directamente com o produtor. “Quando falam com o próprio, ficam mais predispostos para outras experiências”.

Uma das coisas que tem despertado curiosidade este ano é a utilização, por Anselmo Mendes, da casta Alvarelhão. “Uns provam o vinho e passam a mensagem aos outros que chegam aqui perguntando pela tal casta quase extinta. As pessoas gostam muito de novidades.”

No exterior do mercado, há também muita gente a tentar conhecer melhor os vinhos portugueses, de diferentes formas, entre as quais as aulas, provas e harmonizações com críticos do PÚBLICO e de o Globo, os dois jornais que organizam o evento, em parceria com a ViniPortugal – este ano não apenas no Rio, como nas edições anteriores, mas também em São Paulo, no próximo fim-de-semana, de 9 a 11.

Na chamada zona de convivência, aberta ao público, no CasaShopping, o centro comercial da Barra da Tijuca onde se realiza o evento no Rio, faz sucesso uma réplica do eléctrico lisboeta Prazeres 28 no qual se percorrem alguns dos bairros históricos de Lisboa como se estivéssemos na própria cidade. “Sorri”, pede uma mulher que fotografa um amigo sentado numa mesa de café ao lado da estátua do poeta Fernando Pessoa, igual à do Chiado.

No interior do eléctrico há painéis interactivos com informação sobre a vida cultural em Portugal, os vinhos e a gastronomia e as praias, o surf e o turismo de natureza. Há cerca de dois anos que o “bondinho” circula por várias cidades brasileiras apresentando o país – quando estaciona em eventos como este faz pequenas adaptações, sendo que aqui o enfoque é o enoturismo e os vinhos (há, ao longo do dia, sessões para 15 pessoas com prova de quatro vinhos e uma breve introdução à forma de detectar aromas em cada um deles).

Luciana Pereira, nutricionista, está a reservar lugar para uma dessas sessões. É o primeiro ano que vem ao Vinhos de Portugal, mas “tinha ouvido falar que era muito bem organizado” e combinou com uma amiga. Na véspera esteve na harmonização de Moscatel de Setúbal com doces, um assunto que a interessou por ser nutricionista, mas confessa que prefere vinhos menos doces e que costuma comprar alguns portugueses, citando dois ou três nomes.

Também já com lugar reservado no eléctrico, pela segunda vez, está Augusto Abreu, o mais fiel frequentador do Vinhos de Portugal no Brasil, que desde a primeira edição não perde uma sessão do Tomar um Copo, conversas informais em torno de um copo de vinho. E este ano ficou conquistado também pelo eléctrico. “Fantástico! Foi uma verdadeira aula”.