Projecto Fénix já chegou a 110 escolas e a mais de 118 mil alunos

Número de adesões tem vindo a aumentar e a metodologia pedagógica que arrancou em 2008, no primeiro ciclo do básico, está já a ser testada também no secundário.

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Adriano Miranda

Desde que foi criado, em 2008, o projecto Fénix já chegou a mais de 118 mil alunos. No actual ano lectivo, está em 110 escolas do continente, a que se somam mais 14 estabelecimentos de ensino nos Açores. Começou por se aplicar no primeiro ciclo do ensino básico mas, ao longo dos anos, alargou-se aos restantes ciclos, estando actualmente, em fase-piloto, numa escola secundária. A filosofia é sempre a mesma e resume-se, nas palavras da coordenadora do projecto, Luísa Moreira, em poucas linhas: “Desenvolver o potencial máximo de cada aluno, assegurando-lhe um ensino mais personalizado e de maior proximidade sempre que haja necessidade disso.”

Num país que é o segundo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico com mais reprovações precoces, e que em 2014/15 apresentava uma taxa de repetência de 10,3% no 2.º ano do primeiro ciclo do básico, tornou-se óbvio para Luísa Moreira que a escola nem sempre consegue eliminar a “concorrência desleal” que se gera entre os alunos que provêm de meios favorecidos e os que nunca saíram do seu bairro. “Os alunos de alto rendimento, cujos pais têm formação académica capaz de os ajudar, são capazes de aprender em qualquer lado. O projecto foi pensado para os outros, os meninos de baixo rendimento que a escola ia deixando pelo caminho, retendo-os, mas sendo incapaz ao mesmo tempo de lhes melhorar as aprendizagens e de os transformar em jovens confiantes e capazes de desafiar a vida e o mundo”, recua a professora.

E porque deixar os alunos passar administrativamente de ano lectivo “seria outra mentira com repercussões igualmente negativas”, Luísa Moreira pensou numa organização diferente da escola, capaz de acompanhar “as diferentes velocidades de aprendizagem dos alunos”. Na prática, é simples. Cada turma tem, além do professor titular, um professor de apoio, o chamado professor Fénix. Sempre e logo que um determinado grupo de alunos evidencia dificuldades acrescidas na aprendizagem de uma dada matéria, esses alunos são “puxados” para um espaço exterior à sala de aula — o ninho — onde, até um máximo de seis horas por semana, o professor titular lhes garante um ensino mais personalizado. “Cria-se aqui um ambiente de calma e tranquilidade em que os alunos se sentem à vontade e não ficam envergonhados perante o que os outros possam pensar quando dizem 'Professor, não percebi’, porque está dentro de um grupo que tem as mesmas dificuldades”, explica Moreira.

Enquanto isso, o professor Fénix acompanha o resto da turma, aprofundado a matéria leccionada, mas sem avançar nos conteúdos. “Podem, por exemplo, lançar debates ou pegar em poesia para explicar sensações e sentimentos. Ninguém aprende conteúdo novo sem os meninos que saíram para recuperar os não saberes”, acrescenta Luísa Moreira, para acrescentar que, no fim, ganham todos: “É que os alunos de alto rendimento tendiam a ficar parados enquanto o professor investe na recuperação daqueles que precisam de mais tempo”. Por estes dias, o projecto Fénix está já em fase-piloto numa escola secundária e os seus coordenadores aguardam pelas conclusões da avaliação que pediram para ajudar a quantificar o impacto do projecto nas taxas de retenção apresentadas pelas escolas abrangidas.