Macron diz que aperto de mão com Trump “não foi inocente”

O Presidente francês garante que Trump é “mais aberto” do que parece e que tem vontade de escutar e de compreender.

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O primeiro aperto de mão entre Donald Trump e Emmanuel Macron Reuters/POOL

Emmanuel Macron, o Presidente francês eleito há menos de um mês, contou ao Journal du Dimanche que o seu aperto de mão com o Presidente norte-americano, Donald Trump, não foi “inocente” e que é uma mostra de que não podem ser feitas “concessões”, nem "pequenas", nem "simbólicas". O aperto de mão entre os dois líderes na quinta-feira, em Bruxelas, foi bastante comentado tanto nas redes sociais como nos meios de comunicação social.

Donald Trump tem um historial nos apertos de mão: tem por hábito dominar a cena no momento de dar um “passou-bem” a outros líderes de Estado, apertando e puxando a mão do outro, tal como aconteceu com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe; por outro lado, também se recusou a apertar a mão à chanceler alemã Angela Merkel, mesmo após sucessivos pedidos por parte dos fotógrafos. Mas, desta vez, Emmanuel Macron inverteu o processo. Manteve-se hirto apesar da intensidade do aperto, que até fez com que as articulações de ambos ficassem brancas e as feições contraídas — e não foi o primeiro a largar.

“É preciso mostrar que não faremos pequenas concessões, mesmo que simbólicas, mas também não é preciso publicitar isto em demasia”, disse Macron ao Journal du Dimanche, considerando que o aperto de mão foi “um momento de verdade”. A primeira página do jornal francês deste domingo é dedicada ao Presidente: “Como Macron seduz o mundo”, lê-se na manchete. 

Mais tarde, no mesmo dia, voltou a haver um aperto de mão entre os dois Presidentes. Mas, desta feita, Trump usou a sua técnica clássica e puxou a mão (e o braço) de Macron para si

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REUTERS/Christian Hartmann

Trump é “mais aberto do que pensamos”

Apertos à parte, Macron admitiu ainda que não o afectava a posição de tanto Donald Trump como Vladimir Putin ou Erdogan de estarem “numa lógica de ver as coisas em termos de relações de poder”. “Não acredito na diplomacia feita através do criticismo público mas nos meus diálogos bilaterais não deixo passar nada”, observou, argumentando que “é assim que se ganha respeito”.

Não obstante, Macron confessou ter encontrado um Trump diferente daquele que é pintado pela opinião pública; este demonstrava “vontade de compreender e de ouvir”. “[Donald Trump] é mais aberto do que pensamos, ele gosta do contacto directo e é capaz de mudar de posição”, descreveu, afiançando que conseguirá estabelecer com ele uma “relação cordial”.

Quanto a Vladimir Putin, Macron diz ter respeito pela Rússia e explica que o convite ao líder russo surge num contexto de relações diplomáticas para um “diálogo exigente”, em que falarão de “todos os problemas”. Os dois dirigentes vão inaugurar esta segunda-feira uma exposição dedicada ao czar Pedro I, o Grande, no Palácio de Versalhes, em França.