EUA devem assumir parte das culpas por ciberataque, segundo a China

Imprensa chinesa criticou a cooperação das autoridades norte-americanas na resolução do vírus WannaCry, apontando o dedo à NSA.

LUSA/RITCHIE B. TONGO
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LUSA/RITCHIE B. TONGO

A imprensa chinesa criticou os Estados Unidos por não actuarem de forma eficaz na resolução do recente ataque informático de alcance global, afirmando que prejudicaram a resposta à ameaça ocorrida na passada sexta-feira, que danificou mais de 300 mil equipamentos por todo o mundo.

De acordo com o jornal chinês China Daily, a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla inglesa) deve ser, em parte, responsabilizada pelo ataque informático. Em causa está a detecção de uma vulnerabilidade nos sistemas da Microsoft, que a NSA não comunicou à empresa. Assim, os utilizadores deste sistema operativo estavam mais vulneráveis a possíveis ataques.

O mesmo jornal afirma que os “esforços para lidar com os crimes [informáticos] são prejudicados pelas acções dos EUA”. De acordo com a agência de notícias Reuters, o China Daily acrescenta ainda que “não existem provas credíveis” para os EUA terem proibido empresas chinesas de actuarem no país.

As críticas à cooperação dos Estados Unidos surgem numa altura em que o governo chinês se prepara para adoptar uma nova lei para fortalecer a cibersegurança. Alguns grupos de negócios americanos acreditam que esta nova lei vai ameaçar as operações entre empresas estrangeiras e a China.

As autoridades de segurança chinesas têm apelado a um “equilíbrio equitativo” na segurança global, criticando a hegemonia dos EUA nesta matéria. O China Daily relembra a proibição da empresa de tecnologia Huawei de estar presente no país, depois de alegadamente ter violado as leis de segurança norte-americanas.

A Reuters avança ainda que alguns investigadores relacionaram o ciberataque que afectou empresas de todo o mundo com antigos ataques que ocorreram na Coreia do Norte. O China Daily afirma ainda que o papel dos EUA na resposta aos ataques informáticos deveria ser feita com “mais urgência”.