Antigo Cinema Europa, em Lisboa, abre no Dia Mundial do Livro como espaço cultural

Câmara adquiriu o rés-do-chão do edifício e transformou-o numa biblioteca e sala polivalente.

A escultura de Euclides Vaz, na fachada, é das poucas coisas que se salvaram do edifício original
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A escultura de Euclides Vaz, na fachada, é das poucas coisas que se salvaram do edifício original Enric Vives-Rubio

O antigo Cinema Europa, em Campo de Ourique, Lisboa, deu lugar a um espaço cultural com uma biblioteca, uma ludo-biblioteca e uma sala polivalente, que vai abrir à comunidade este domingo, Dia Mundial do Livro.

Do velho cinema Europa sobraram poucas coisas, como as colunas que sustentam o edifício e a escultura em alto-relevo de Euclides Vaz na fachada, da princesa Europa, raptada pelo deus grego Zeus transformado em touro, antes de dar o nome ao "velho continente".

O edifício é agora de habitação, mas o rés-do-chão, comprado pela Câmara Municipal de Lisboa por 1,4 milhões de euros ao proprietário particular do prédio, foi transformado num espaço cultural, onde, a partir deste domingo, funciona uma sala de leitura de adultos, uma ludo-biblioteca e uma sala polivalente para actividades culturais.

"O nosso objectivo é que este seja um verdadeiro centro cultural de base local, muito ligado ao bairro, apesar de continuar integrado na rede de bibliotecas municipais de Lisboa, em que o catálogo continuará a ser disponibilizado em todas as bibliotecas da cidade", afirmou à Lusa Pedro Cegonho, presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique.

A biblioteca tem cinco mil títulos e capacidade para ir até aos oito mil, e a ludo-biblioteca, para crianças e jovens dos zero aos 16 anos, tem actividades além da leitura, como jogos e uma consola.

A presença constante dos utilizadores mais novos é uma das grandes esperanças, segundo Pedro Cegonho, devido à grande população escolar da freguesia e visto que actualmente já existe uma ludo-biblioteca a funcionar no edifício da junta, que tem uma presença diária média de cerca de 30 crianças e jovens, apesar de só abrir da parte da tarde.

A sala polivalente vai abrir com uma exposição onde há uma ligação entre a imagem do arquitecto Lourenço da Câmara Lomelino e os textos de Cristina de Freitas Branco e um concerto de música clássica com a jovem violinista do bairro Matilde Loureiro, "precisamente para demonstrar a versatilidade" que tem, preparada para eventos, conferências, teatro, concertos e projecção de cinema.

Na sala de leitura vai ficar sedeada a Biblioteca Cosmos, com 145 livros, editada há 75 anos pelo professor Bento de Jesus Caraça, que residiu no bairro, e que foi a primeira aquisição para este espaço, encontrada pela Junta de Freguesia num alfarrabista.

O espaço tem também um protocolo com o Centro Jacques Delors, sendo a primeira biblioteca Europe Direct Center em Lisboa, com um programa de informação e actividades sobre a União Europeia a desenvolver junto da comunidade escolar.

O projecto nasceu por iniciativa do Movimento SOS Cinema Europa, que o inscreveu no Orçamento Participativo da cidade, acabando por ser uma das ideias vencedoras em 2009, com uma verba alocada de 690 mil euros.

"A programação e a definição da linha cultural que queremos desenvolver será algo que só pode ser feito, de forma a ser fiel ao espírito do espaço que aqui está, se tiver sempre a presença do Movimento SOS Cinema Europa", disse Pedro Cegonho, apesar de o espaço ser gerido como competência própria da junta de freguesia.

A biblioteca funciona entre as 10h00 e as 19h00, de segunda-feira a sábado, mas o programa cultural complementar terá horários próprios.

A freguesia de Campo de Ourique tem cerca de 22 mil habitantes e uma população mais envelhecida do que a média na cidade de Lisboa, tendo quase 600 utilizadores inscritos na rede de bibliotecas.

O Cinema Europa foi inaugurado em 1930 e utilizado até 1981, e por lá passaram as gravações de diversos concursos da RTP, como o 1,2,3 ou o Passeio dos Alegres.