EUA puxam economia mundial, mas FMI teme proteccionismo

PIB mundial acelera em 2017 e 2018, com contributo positivo das economias avançadas.

FMI prevê um crescimento mundial de 3,5% em 2017
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FMI prevê um crescimento mundial de 3,5% em 2017 Reuters/FRANCOIS LENOIR

Apesar de apresentar como cenário base para a economia mundial uma aceleração progressiva durante este ano e o próximo, o Fundo Monetário Internacional voltou esta terça-feira a alertar para a ameaça que constitui a aplicação de políticas mais proteccionistas em vários países e a possibilidade de aplicação repentina de políticas monetárias mais restritivas.

As incertezas do FMI em relação aos desenvolvimentos futuros da economia mundial são tantas que o título do relatório onde são apresentadas as previsões de Primavera está em forma de pergunta: “A ganhar um novo ímpeto?”.

Esta foi a maneira mais segura do FMI descrever numa frase a situação de uma economia mundial que, apesar de estar a crescer agora mais rápido em diversas regiões, enfrenta diversos riscos no horizonte.

De acordo com as previsões do FMI, a economia mundial irá, depois de uma variação de 3,1% em 2016, crescer 3,5% em 2017 e 3,6% em 2018. Uma ligeira revisão em alta face às últimas previsões e uma progressiva aceleração que se explicam sobretudo pelo dinanismo recentemente revelado pela economia norte-americana e pelos mercados financeiros, em resposta às expectativas de políticas económicas mais expansionistas por parte da Administração Trump.

No entanto, é precisamente das políticas que se seguem que o FMI tem medo. No relatório repete-se a ideia de que se pode vir a assistir a “uma mudança para dentro das políticas, incluindo em direcção ao proteccionismo, que conduz a um menor crescimento provocado pela redução do comércio e dos fluxos de investimento internacionais”.

Do lado da política monetária, a entidade liderada por Christine Lagarde avisa que “uma subida de taxas de juro mais rápida do que o previsto pode desencadear uma deterioração das condições financeiras e uma apreciação do dólar, com repercussões negativas nas economias mais vulneráveis”.

Por isso, assinala o Fundo, “as escolhas políticas vão ser cruciais na definição da conjuntura e na redução dos riscos”.