Dijsselbloem recusa ir ao Parlamento Europeu depois de declarações polémicas

O presidente do Eurogrupo não aceitou o convite de Antonio Tajani para comparecer numa reunião na próxima semana. Dijsselbloem foi alvo de duras críticas depois de se ter referido aos países do sul europeu.

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Muitos pediram o afastamento de Dijsselbloem mas o holandês não se quer demitir LUSA/BART MAAT

Nesta quinta-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, recusou comparecer num plenário que acontecerá na próxima semana no Parlamento Europeu, depois das declarações polémicas que fez a um jornal alemão. Na semana passada, o holandês Dijsselbloem acusou os países do sul da Europa de gastarem o seu dinheiro “em copos e mulheres” e “depois pedirem que os ajudem”.

O convite para estar presente no plenário foi formalizado pelo presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, através de uma carta dirigida a Djisselbloem, o que o obrigava a responder por escrito. E assim aconteceu: “Obrigada pelo convite para o plenário do próximo dia 4 de Abril”. “Infelizmente, não estarei disponível nessa data”, escreveu ainda na carta enviada ao Parlamento, que é citada pelo El País.

Dois dias depois das declarações polémicas, a 22 de Março, Dijsselbloem disse não ter intenções de se demitir do cargo, considerando que se tratava de um mal-entendido: “Lamento que alguém se tenha sentido ofendido pelo comentário. Foi directo, e pode ser explicado pela rigorosa cultura holandesa, calvinista, pela franqueza holandesa”.

“Percebo que isto não seja bem compreendido e apreciado noutros lugares na Europa” – explicou, citado pela Reuters – “o meu estilo é directo e, novamente, se alguém, se as pessoas se ofenderam, eu lamento muito, como é óbvio”. 

Agora, de acordo com um porta-voz de Dijsselblom, o político alega ter “problemas de agenda”. Ainda assim, o El País refere que o líder do Eurogrupo não quer comparecer ao plenário para que não seja novamente interrogado relativamente às suas declarações, como aconteceu na comissão de Economia há uns dias.

A presença de Dijsselboem para o plenário de dia 4 estava solicitada há algum tempo, para que fosse debatida a situação da Grécia e se fizesse uma análise ao seu terceiro pacote de resgate. “O Parlamento compromete-se a ter um debate aberto e democrático sobre o programa de resgate da Grécia”, lê-se na carta de Tajani.

Djisselbloem respondeu, então, que não está disponível para o plenário mas compromete-se a prestar auxílio mais adiante, assim que esteja concluída a análise do terceiro programa da Grécia, o que pode demorar alguns meses. O presidente do Eurogrupo explica que se pronunciou recentemente sobre a questão da Grécia, no dia 21 de Março.

A atitude de Dijsselbloem foi criticada por muitos. Em Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, pediu a sua demissão; Marcelo Rebelo de Sousa subscreveu o pedido de afastamento do presidente do Eurogrupo. Também António Costa considerou que as declarações eram “racistas, xenófobas, sexistas” e “absolutamente inaceitáveis”.

O presidente do Partido Socialista Europeu afirmou ser uma “vergonha” que Jeroen Dijsselbloem tivesse insultado “com uma só frase” tantas pessoas, sublinhando que as afirmações não representam o PSE. 

De igual modo, também o ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi defendeu que o holandês se deve demitir o mais rapidamente possível. Outras vozes se juntaram à reprovação das afirmações feitas por Dijsselbloem: o governo de Atenas, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) ou a comissão europeia do comércio

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