Empregado de mesa americano despedido por pedir prova de residência a clientes

O funcionário do restaurante Saint Marcs recusou-se a servir quatro mulheres latinas antes de ver documentos que provassem que estão a viver legalmente nos EUA.

O episódio aconteceu numa altura em que o novo Presidente do EUA quer impor mais restrições a imigração
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O episódio aconteceu numa altura em que o novo Presidente do EUA quer impor mais restrições a imigração EPA/JUAN CARLOS CARDENAS

No dia 11 de Março, um empregado de mesa na Califórnia pediu a quatro mulheres de ascendência mexicana que provassem que eram residentes legais no país antes de as servir. O episódio foi relatado no Facebook por Diana Carrillo, uma das vítimas do incidente.

Na publicação que já foi partilhada mais de mil vezes, Diana Carrillo diz que o empregado do restaurante Saint Marc’s em Hungtington Beach pediu “provas de residência” à sua irmã e a um amigo quando eles pediram uma bebida. “O meu amigo não queria acreditar, por isso repetiu o que ele disse e a resposta dele foi ‘sim, eu preciso de ter a certeza que são daqui antes de vos servir’”, escreveu Carrillo. "A quantas mais pessoas terá ele dito isto? Espero que este funcionário seja repreendido pelas suas acções. Nenhum estabelecimento deve tolerar comportamentos discriminatórios por parte dos seus empregados."

A mulher afirma ainda que avisou a gerência do restaurante sobre a situação, que se prontificou a acomodá-las numa zona diferente. Mas o grupo já tinha tomado a decisão de abandonar o estabelecimento. De acordo com o Washington Post, numa segunda tentativa, a gerência contactou posteriormente as mulheres e ofereceu uma experiência VIP no restaurante, além de se comprometer a doar 10% das receitas do fim-de-semana a uma organização não-governamental à escolha do grupo.

As mulheres recusaram a refeição, mas pediram que as receitas fossem doadas para a organização Orange County Immigrant Youth United.

Ao mesmo jornal, Kent Bearden, director de operações no restaurante Saint Marc, confirmou que o empregado em questão foi despedido e que o comportamento dos funcionários é "algo que não se pode controlar". "O indivíduo não tratou os clientes de acordo com a política de empresa e por causa disso teve de ser despedido", explicou Kent Bearden.

Questionada pela BBC, Diana Carrillo disse que “nunca antes tinha enfrentado discriminação assim” e que “toda a gente no grupo nasceu nos Estados Unidos”. "Eu acho que as pessoas pensam que têm mais poder agora para discriminar livremente do que antes", desabafou. "Eu acordei esta manhã com comentários que acusavam a minha história de ser fake news, que não aconteceu de facto. Infelizmente, tudo o que eu contei aconteceu a mim e a mais três pessoas. É preciso chamar atenção para o racismo."

A americana admitiu ainda estar contente com a forma como o restaurante lidou com o incidente, mas que estava desiludida por o pedido de desculpa oficial ter sido removido da página oficial do restaurante.

Donald Trump assumiu a Presidência dos EUA em Novembro com uma rigorosa retórica sobre a imigração e uma das suas promessas foi a de construir um muro ao longo da fronteira com o México.