Passos revela que eram precisos “40 mil a 50 mil milhões” para proteger banca

Líder do PSD não confia que o problema do crédito mal parado possa ser resolvido com uma solução europeia.

Passos Coelho foi orador convidado em almoço do Fórum de Administradores de Empresas
Passos Coelho foi orador convidado em almoço do Fórum de Administradores de Empresas LUSA/Tiago Petinga
Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde, também participou no debate
Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde, também participou no debate LUSA/Tiago Petinga
Fotogaleria

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, revelou que a necessidade de proteger a banca dos riscos chegou a ser avaliada em valores “entre 40 mil e 50 mil milhões de euros” e que nos últimos quatro anos foram limpos de imparidades e crédito mal parado “para cima de 20 mil milhões de euros”. Num almoço com empresários, o ex-primeiro-ministro disse não acreditar que o problema se resolva sem custos para ninguém.

Lembrando que o sistema bancário entrou em pré-colapso em 2011, Passos Coelho referiu os números de imparidades e de crédito mal parado na banca, segundo o governador do Banco de Portugal. “Teríamos necessidade entre 40 a 50 mil milhões de euros para poder imunizar o sistema bancário dos riscos mais elevados”, afirmou, num almoço promovido pelo Fórum de Administradores de Empresas, presidido por Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde do PSD.

O ex-primeiro-ministro defendeu a necessidade de “libertar os bancos” dessas imparidades para financiar a economia, mas sublinhou que “não havia envelope financeiro da troika”. Mesmo que houvesse, sublinhou, “a dívida era insustentável” e a “Europa teria uma segunda Grécia”.

Segundo Passos Coelho, o sistema bancário “limpou” nos últimos quatro anos “para cima de 20 mil milhões”, e faltaria outro tanto, o que considerou ser “perfeitamente viável”. No entanto, a solução terá custos para accionistas, ou para clientes ou para as empresas. Pensar que será a Europa a arranjar uma solução para o crédito mal parado “é a história da carochinha”, defendeu.

"Não ter medo de perder"

Depois de uma intervenção inicial, o líder social-democrata respondeu a perguntas dos empresários que, por duas vezes, o questionaram sobre como voltará a ser poder e qual será a estratégia. “A estratégia é não ter medo de perder. Nós não temos nenhuma possibilidade de acumular políticas generosas do ponto de vista financeiro quer para funcionários públicos e pensionistas”, afirmou, defendendo que “não é sustentável ter o Estado à míngua” como está. Esse garrote financeiro vai acabar por se reflectir na prestação do serviço, acrescentou.

Aí, Passos Coelho considera que será o tempo a correr contra o Governo. “Por mim, o PS pode lá ficar à vontade. Terá tempo para explicar aos portugueses por que não tem dinheiro”, disse, sublinhando que é preciso tempo para "percepcionar as políticas" e que é um defensor da estabilidade.

O ex-primeiro-ministro, que esteve na mesma mesa que o ex-ministro das Finanças do PSD Eduardo Catroga, foi também questionado sobre a medida da redução da TSU para empresas (e subida para os trabalhadores) anunciada em 2012 mas que não chegou a avançar depois da oposição forte dos empresários e de uma manifestação nas ruas.Assumi o fracasso e creio que não há condições para a repetir”, afirmou, atribuindo o seu fim à condenação por parte de empresários e gestores.