Morreu David Rockefeller, decano dos filantropos norte-americanos

O patriarca da família Rockefeller morreu “pacificamente durante o sono” na sua residência em Pocantico Hills, de acordo com o porta-voz da família. Tinha 101 anos.

David Rockerfeller (à esquerda) com Jean Chretien e John Whitehead em 2002
Foto
David Rockerfeller (à esquerda) com Jean Chretien e John Whitehead em 2002 REUTERS/Jeff Christensen

O multimilionário e filantropo David Rockefeller morreu nesta segunda-feira, aos 101 anos.

Um porta-voz da família anunciou que morreu devido a uma insuficiência cardíaca congestiva.

Banqueiro, filantropo e conselheiro presidencial, o patriarca da família Rockefeller morreu “pacificamente durante o sono” na sua residência em Pocantico Hills, em Nova Iorque, de acordo com o porta-voz Fraser P. Seitel.

David Rockefeller nasceu a 12 de Junho de 1915, no local que hoje alberga o Museum of Modern Art (MoMa) de Nova Iorque, onde se localizava a mansão da família Rockefeller, cuja fortuna se alicerçou na exploração de petróleo e na banca.

Era o último neto vivo de John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil, a maior petrolífera dos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. 

O multimilionário liderou entre 1969 e 1981 o banco Chase Manhattan, que foi vendido na década de 1990 e veio a tornar-se parte do actual JPMorgan Chase, um dos principais bancos privados dos Estados Unidos.

Durante o período em que liderou o Chase Manhattan, Rockefeller cultivou uma vasta rede de relações próximas de governos e empresas multinacionais, tornando-se símbolo de uma era em que os donos de bancos corriam outros países para trabalhar com os políticos mais poderosos do mundo.

Em 1979, Rockefeller esteve envolvido num incidente internacional, quando ele e o amigo de longa data Henry Kissinger convenceram o Presidente norte-americano Jimmy Carter a oferecer asilo temporário ao Xá do Irão, Mohammad Reza Pahlavi. A República Islâmica recusou acreditar que se tratava de “um caso de urgência médica” e a manobra acabou por precipitar a crise de reféns na embaixada dos EUA em Teerão, que se estendeu por 13 meses.

Filantropia e coleccionismo

Com uma fortuna estimada em 3,3 mil milhões de dólares em Março de 2017, segundo dados da revista Forbes, David Rockefeller terá doado quase dois mil milhões de dólares ao longo da sua vida, disse o porta-voz da família.

Reconhecido filantropo e coleccionador de arte, o multimilionário doou milhões de dólares a instituições como a Universidade de Harvard, o MoMA e a Universidade Rockefeller, dedicada à investigação em ciências biomédicas, que o avô John D. Rockefeller fundou em 1901. 

David Rockefeller foi um dos multimilionários que se juntaram ao Giving Pledge, uma iniciativa lançada em 2010 pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, e pelo magnata Warren Buffett para doarem pelo menos metade das fortunas, durante a sua vida ou no seu testamento, a causas de filantropia e mecenato.

O próprio Rockefeller criou várias organizações internacionais dedicadas à filantropia, como a Americas Society, a Comissão Trilateral (que promove a cooperação entre a América do Norte, Europa e o Japão), e a New York City Partnership, para ajudar a população mais pobre da cidade.

Ao longo da sua vida, Rockefeller foi submetido a sete transplantes de coração, o último dos quais em Setembro de 2016. Em 2002 publicou a sua biografia, Memoirs, e continuou a trabalhar todos os dias até depois de completar 90 anos.