Fillon divulgou vídeo em que promete "resistir" como candidato às presidenciais

Nova sondagem mostra que o político da direita francesa não conseguirá passar à segunda volta.

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Fillon diz-se vítima de uma conspiração Christian Hartmann/REUTERS

Multiplicam-se os apelos a François Fillon para que desista de ser o candidato da direita às eleições presidenciais francesas. As suspeitas sobre a sua honestidade multiplicam-se: a polícia fez esta sexta-feira buscas no Senado, em Paris, à procura de informação relacionada com o trabalho desempenhado pelos seus dois filhos mais velhos, que  empregou quando era senador pela região de Sarthe, entre 2005 e 2007. Mas Fillou recusa retirar-se.

Num vídeo colocado no Facebook, o candidato do partido Os Republicanos diz “compreender os problemas” provados pelas revelações de que terá dado um emprego fictício à sua mulher, Penelope Fillon, como sua assistente parlamentar, durante vários anos, custando ao erário público francês perto de 900 mil euros. Mas prometeu “resistir” – ainda que aquilo que muitos apoiantes e companheiros de partido lhe estejam a pedir seja exactamente o contrário.

Fillon barrica-se na sua indignação, diz-se vítima de uma conspiração. Divulgou este vídeo de três minutos após uma reunião com vários notáveis do partido e de telefonemas que incluíram Nicolas Sarkozy, diz a rádio Europe 1. Ter-se-á sentido reconfortado na sua posição, mas uma sondagem Harris Interactive para a revista Atlantico diz que 33% dos eleitores de Os Republicanos preferiam que ele fosse substituído por Alain Juppé, o candidato derrotado nas primárias do centro-direita. Só 13% gostaria de ver Sarkozy regressar como salvador do partido.

Juppé tem-se recusado a ser repescado – embora haja quem diga que estaria disposto a reconsiderar, se Fillon fosse à televisão dizer que desistia, apelando a Juppé para que o substituísse… Mas há uma forte oposição interna ao ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac, de um sector mais à direita deste partido de profundas divisões.

Um dos principais rostos dessa oposição é François Baroin, que Nicolas Sarkozy tinha anunciado que seria o seu primeiro-ministro, se ganhasse as presidenciais outra vez. Para os sarkozystas, o regresso de Juppé não seria uma boa notícia. Para Laurent Wauquiez, outro jovem lobo da direita de Os Republicanos, que Sarkozy pôs na vice-presidência do partido, a possível candidatura de François Baroin seria a ascensão de um rival da sua geração, por isso não a suporta. E Alain Juppé, bom, é demasiado moderado para o seu gosto.

As perspectivas de manutenção de Fillon, no entanto, não são boas. Uma sondagem IFOP para a revista Paris Match e a televisão Itelé, divulgada nesta sexta-feira, dá-o em terceiro lugar na primeira volta das presidenciais, com 18,5%, atrás de Marine Le Pen e Emmanuel Macron. A dinâmica não é de vitória.

O documentário transmitido pela televisão France 2 na quinta-feira, que recuperou uma entrevista de 2007 de Penelope Fillon ao jornal britânico The Telegraph, em que diz que "nunca foi assistente, ou qualquer coisa do género" do seu marido, não ajudaram à sua imagem. À data dessa entrevista, Penelope Fillon já trabalhava há pelo menos quatro anos como assistente parlamentar do marido.

Na entrevista, que deu sentada num café de Paris, disse que do que gostava mesmo era de estar na sua casa no campo, a cuidar dos filhos e com os seus livros. Nunca, acrescentou, tinha "tratado da comunicação" de François Fillon.