Deputados do PSD atacam PS e Governo por causa da “feira de gado” de Santos Silva

Ministro dos Negócios Estrangeiros comparou concertação social a uma “feira de gado”. PSD passou ao ataque.

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Augusto Santos Silva Daniel Rocha

Os deputados da bancada social-democrata Duarte Marques e Carlos Abreu Amorim tecem duras críticas ao PS e Governo por estarem em silêncio depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ter comparado a concertação social a uma “feira de gado”.

O episódio aconteceu na noite da passada quinta-feira, 22, durante o jantar de Natal do grupo parlamentar socialista com o Governo. O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, tinha acabado de conseguir um acordo na concertação social e mereceu saudações de vários socialistas. Uma delas veio de Augusto Santos Silva.

“Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante… Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns”, disse Santos Silva ao ministro do trabalho.

O momento foi captado pelas câmaras de televisão e divulgado no espaço de opinião do jornalista Victor Moura-Pinto no Jornal das 8 da TVI, no domingo. As críticas a Santos Silva nas redes sociais subiram de tom de imediato e o tema foi manchete do jornal i desta terça-feira.

Para dois deputados da bancada do PSD ouvidos pelo PÚBLICO a comparação é “grave” e Carlos Abreu, vice-presidente do grupo parlamentar “laranja”, diz mesmo que Santos Silva, “como experiente ministro que é, devia retirar as devidas consequências”.

“Se fosse um ministro do anterior Governo o assunto seria sério e mediático e teria drásticas consequências sociais e políticas. Como é deste Governo está tudo calado”, diz Abreu Amorim.

Para o vice-presidente da bancada social democrata, as palavras de Santos Silva “foram graves por estar a referir-se a um órgão consagrado na Constituição”. E “mais graves são”, acrescenta, “por virem de um ministro experiente, que já teve a honra suprema de pertencer ao Governo de José Sócrates” e que “trata outro ministro, que também o foi com Sócrates, como rei do gado”.

Carlos Abreu Amorim diz-se mesmo “chocado” com “um episódio que é revelador da falta de sentido de Estado e falta respeito que o Governo tem pelos agentes da concertação social”. Uma “situação impossível e insustentável”, diz ainda, “que deveria levar Santos Silva a tirar as devidas consequências”, sugerindo assim a sua demissão.

Já depois de Augusto Santos Silva ter pedido desculpa, Carlos Abreu Amorim voltou a criticar o MNE na sua página do Facebook. “A pseudojustificação:  ‘... Lamentavelmente disse negociante em vez de negociador (...) O que queria dizer com isso era mostrar a dureza da negociação, a complexidade das transacções...’ Ou seja, primeiro qualificou um órgão constitucional como uma ‘feira de gado’ - depois, piora as coisas com desculpas tão mal amanhadas que só pode estar a pensar que os portugueses, todos, não passamos de, vá lá, não de uma manada de cabeças de gado mas, pelo menos, de uns burrinhos... Alguém com a ancianidade política de Santos Silva tem o dever retirar as devidas consequências deste seu sintomático resvalar para o que verdadeiramente pensa”, escreveu.

Já o deputado Duarte Marques diz estranhar que “os indignados do regime, os rei do politicamente correcto, os que se indignam com tudo, até com reis magos e renas, estejam agora calados”.

Referindo ao Governo e à coligação PCP-BE-Os Verdes que o apoia, Duarte Marques afirma que “a sua hipocrisia e cobardia fica revelada quando os gritos de indignação ficam calados perante tal alarvidade”.

Ainda assim, Duarte Marques desvaloriza o caso, a que chama “uma boçalidade”, por considerar que as políticas do Governo “são bem mais graves”. Lamenta ainda que o protagonista seja “um dos ministro do Governo que melhor trabalho tem feito.”

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