Autarca de Vila Real questiona segurança no Túnel do Marão

Infra-estruturas de Portugal refutou as considerações de Rui Santos. Carrinhas de apoio e centro operacional mantêm-se neste troço da A4, apesar do controlo do tráfego ser feito na sala de operações, em Almada.

Túnel rodoviário do Marão, com
5,6 quilómetros, abriu ao trânsito a 8 de maio deste ano
Foto
Túnel rodoviário do Marão, com 5,6 quilómetros, abriu ao trânsito a 8 de maio deste ano Nelson Garrido

O presidente da Câmara de Vila Real questionou esta sexta-feira a segurança no Túnel do Marão, depois do controlo de tráfego ter passado a ser feito na sede da Infra-estruturas de Portugal, em Almada, e porque a "pressão de água não é a adequada" para combater incêndios.

Rui Santos, eleito pelo PS, falava aos jornalistas numa conferência de imprensa que decorreu junto à entrada de Vila Real do Túnel do Marão e num dia em que o trânsito aumenta nas estradas devido ao Natal. O presidente quis chamar a atenção para as questões de segurança de duas auto-estradas que passam por Vila Real, as auto-estradas do Marão e a A24.

A auto-estrada do Marão, que concluiu o prolongamento da A4 de Amarante a Vila Real e inclui um túnel rodoviário de 5,6 quilómetros, abriu ao trânsito a 8 de maio e, durante este período, a vigilância e controlo do tráfego foi feita directamente da sala de operações, instalada num edifício na entrada do lado de Amarante, onde estiveram permanentemente dois operadores atentos às informações recolhidas pelas 124 câmaras espalhadas pela estrutura. Em Novembro, esta operação passou a estar centralizada no Centro de Controlo e Informação de Tráfego (CCIT) da Infra-estruturas de Portugal (IP), localizado em Almada.

"A pergunta que eu faço é onde está o túnel? Ele está cá e, portanto, o que devia acontecer era o contrário, o que devíamos era ter um controlo local", afirmou o autarca transmontano.

Rui Santos alertou ainda para "outro problema" que disse estar relacionado com a "pressão na água de combate a incêndios que não é a adequada". "Talvez por isso ainda não se tenham feito os simulacros que estavam previstos para o bom funcionamento do Túnel do Marão. Para quem tinha como lema a segurança em primeiro lugar, estas duas situações deixam-nos deveras preocupados", salientou.

A 25 de Novembro, dia do primeiro nevão em Trás-os-Montes neste inverno, houve também, segundo o autarca, "um apagão na infra-estrutura durante 45 minutos, a protecção civil não foi avisada e os bombeiros não foram avisados". Rui Santos acredita que, se os operadores do centro de controlo ainda "aqui estivessem a resposta a esta questão seria mais rápida".

"Reclamamos a quem de direito que reponha as condições que foram anunciadas aquando da abertura do Túnel do Marão e que tenham a coragem de testar todos os aspectos ligados à segurança, nomeadamente as de combate aos incêndios que nos disseram que não estão nas condições ideias", sublinhou.

A IP já disse que as carrinhas de apoio se mantêm neste troço da A4, a funcionar 24 horas por dia, e que, no local, se mantém activo o centro operacional existente com permanência de colaboradores da empresa que, em situações excepcionais de necessidade, poderão inclusive reassumir a vigilância e operação do empreendimento do Marão.

Relativamente ao sistema de alimentação de água, a IP remeteu à Lusa um parecer elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e que considera que "este sistema satisfaz os requisitos mínimos do Decreto-Lei, pelo que se considera que satisfaz as exigências de segurança".

Para Rui Santos, o que se passa com a A24 é também "absolutamente escandaloso". Em Novembro de 2015 e depois de renegociação do contrato de concessão entre o Estado e a Operscut, foi cortada a iluminação nos nós de acesso e painéis de informação e reduzidos os limpa-neves.

"O facto é que passou um ano e nada disto ainda foi resolvido. Neste período de inverno, com o gelo e nevoeiro, é absolutamente inaceitável continuarmos a ter as auto-estradas portajadas e não termos as condições de acessibilidade que outros têm", frisou.

Rui Santos deixou "um alerta e um pedido" para que estas situações sejam corrigidas. "Não está em causa nenhum valor significativo em termos financeiros, o que está em causa é sobretudo vontade política", afirmou.