Opinião

A melhor sondagem vem dos consumidores

Pode ser por tudo e mais alguma coisa. Mas a realidade que o inquérito do INE nos mostra é que os consumidores estão mais confiantes agora do que quando Passos era primeiro-ministro.

Na noite de 4 de Outubro de 2015 a surpresa foi geral. Pedro Passos Coelho, líder da coligação Portugal à Frente, vencia as eleições legislativas. Apesar de ter governado e aplicado um duríssimo plano de ajustamento. Apesar de as sondagens apontarem para um empate técnico.

Dias antes do acto eleitoral, a 29 de Setembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgava o Inquérito de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores.

Os dados não eram menos surpreendentes. Apesar do programa de ajustamento, apesar de todas as dificuldades a que os portugueses tinha sido sujeitos, o INE revelava que o indicador de confiança dos consumidores tinha aumentado em Setembro. E tinha mantido “a tendência ascendente observada desde o início de 2013”. E tinha registado “o valor mais elevado desde Junho de 2001”. Os consumidores estavam muito mais confiantes. Passos Coelho venceu as eleições. As sondagens foram ultrapassadas pela realidade e pelo inquérito do INE.

Um parêntese. (Os inquéritos do INE não são comparáveis às sondagens. Na última sondagem conhecida e publicada pelo Expresso este fim-de-semana, por exemplo, foram validadas 1016 entrevistas. No último Inquérito de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores divulgado pelo INE, referente a Novembro de 2016, foram inquiridas 2760 pessoas, com uma taxa de resposta de 58,2%, ou seja, mais de 1600 respostas).

E é neste último inquérito do INE, de Novembro de 2016, que os resultados se revelam novamente demolidores.

O indicador de confiança atingiu o valor mais alto desde Outubro de 2000. O valor mais alto em 16 anos. Ainda assim, o valor continua negativo (-10,5), mas em Setembro de 2015, o tal valor antes das legislativas, o indicador de confiança era ainda mais negativo (-11,2). Só para se ter uma ideia da evolução que se registou, a confiança dos consumidores bateu no seu ponto mais baixo de sempre, em Dezembro de 2012, estava o país em pleno programa de ajustamento: atingiu (-53,3).

E quando se desagrega o indicador de confiança dos consumidores nas suas várias componentes, constata-se que quer seja pela perspectiva que os consumidores têm dos últimos 12 meses em termos da situação do seu agregado familiar, quer seja pela situação do país, a situação está melhor face à que existia quando Passos Coelho ganhou as legislativas.E quando se olha para a situação actual ou para os próximos 12 meses, a opinião dos consumidores é a mesma: entre Outubro de 2015 e Novembro de 2016, pela percepção dos consumidores, as coisas melhoraram.

Pode ser só uma percepção. Pode até ser injusto para Passos Coelho, porque a confiança dos consumidores já estava a melhorar antes de Costa chegar ao poder. Pode até ser porque o Presidente da República ajudou a desdramatizar a vida política portuguesa.

Pode ser por tudo e mais alguma coisa. Mas a realidade que o inquérito do INE nos mostra é que os consumidores estão mais confiantes agora do que quando Passos era primeiro-ministro. A realidade que o INE nos mostra é que os consumidores não vêem o diabo ao virar da esquina. E essa é a melhor sondagem para António Costa.