A corrupção no Governo do Brasil

Os documentos entregues aos investigadores da Lava Jato pelo ex-director da construtora Odebrecht, Cláudio Melo Filho, atingem o Presidente e a cúpula do PMDB.

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AFP/EVARISTO SA

Michel Temer

O Presidente é citado 43 vezes na delação de Cláudio Melo Filho, que era o homem que fazia a “ponte” entre a construtora e os políticos de Brasília e que, garantiu aos investigadores, mantinha uma “relação próxima” com o núcleo político de Temer. Os contactos directos com o Presidente foram esparsos, mas segundo disse, Temer pediu (e recebeu) uma contribuição de dez milhões de reais para a campanha eleitoral do PMDB.

Eliseu Padilha

O ministro da Casa Civil aparece disfarçado nos documentos da Odebrecht como “Primo”: seria ele quem falava em nome de Temer e do partido com os dirigentes da construtora. “Padilha concentra as arrecadações financeiras do núcleo político do PMDB para posteriores repasses internos. E era Padilha que viabilizava os encontros para as demandas da empresa”, lê-se no depoimento.

Romero Jucá

Investigado na Lava Jato e num outro processo em curso no Supremo Tribunal Federal, foi exonerado de ministro do Planeamento ao fim de 12 dias no cargo. O senador é citado mais de cem vezes no depoimento do ex-director da Odebrecht, e apelidado de “Caju”. Sob esse nome figuram pagamentos de 22 milhões de reais nos documentos entregues aos investigadores – Jucá era o “principal interlocutor” da construtora no Senado e centralizava os pagamentos para o grupo do PMDB em troca do apoio a leis do interesse da construtora.

Geddel Vieira Filho

Foi obrigado a demitir-se da Secretaria de Governo no mês passado, depois de o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, o ter acusado de “advocacia administrativa”, isto é, de defender o seu interesse particular em projectos do Governo. O seu nome é mencionado 67 vezes por Melo Filho, e aparece nos documentos como “Babel”, com verbas atribuídas em 2006, 2008, 2010 e 2014. “Geddel interagia com agentes privados para atender seus pleitos em forma de pagamentos”, disse Melo Filho.