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Gentiloni, o amigo discreto e fiel dos líderes

Paolo Gentiloni é um super-renziano. A oposição chama-lhe “cópia” e diz que o seu governo será produto de “uma barriga de aluguer em versão política”.

O homem que preferia "a segunda linha" chega agora ao poder
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O homem que preferia "a segunda linha" chega agora ao poder Alessandro Bianchi/Reuters

O jornal La Repubblica chama-lhe “o ideólogo do renzismo que preferia a segunda linha”. Paolo Gentiloni tem 62 anos e nasceu em Roma, onde começou por exercer jornalismo. Membro da direcção actual do Partido Democrático, esteve sempre logo atrás dos líderes do centro-esquerda. Estudioso da política de comunicação da esquerda italiana (e das lições anglo-saxónicas), está habituado a aproveitar os seus conhecimentos em proveito de outros.

Dirigiu a campanha eleitoral de Francesco Rutelli, em 2001, quando o ex-presidente da câmara de Roma foi derrotado por Silvio Berlusconi mas chegou sozinho aos mesmos votos do líder da direita (que teve então uma das suas melhores votações e concorria coligado com outros partidos). Geriu o regresso apoteótico de Romano Prodi, na Convenção da Esquerda de 2005, um ano antes de uma nova coligação alargada, a União, vencer as legislativas. Na altura, assinou o conjunto de textos Uma vida mediana – Prodi era “um entre outros”, médio e não uma estrela. Gentiloni é outro assim, recorda o diário La Stampa.

Super-renziano, a oposição chama-lhe “cópia” e diz que o seu governo será produto de “uma barriga de aluguer em versão política”. Um dos fundadores da Margarida (partido de centro-esquerda católico de Prodi antes da União), foi deputado e ministro da Comunicação de Prodi.

Renzi, cuja liderança apoiou e de quem é muito próximo, pediu-lhe que aceitasse os Negócios Estrangeiros e ele aceitou, abandonando assim a “segunda linha” onde se sente mais à vontade. Agora que Renzi o escolheu e Sergio Mattarella o designou para chefiar o Governo, vai colocar-se em definitivo na ribalta, lugar especialmente duro em Itália.

A União Europeia preferia um governo de continuidade, que permita a Roma cumprir sem grandes sobressaltos as suas obrigações internacionais. Mattarella queria exactamente o mesmo. Gentiloni cumpre todos os requisitos. Herdeiro com palácio (Palazzo Gentiloni) é discreto, pragmático e um político à antiga, sem a exuberância de Berlusconi ou a retórica colorida de Renzi, um estilo que os italianos já terão alguma dificuldade em reconhecer.

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