Portugal quer campus de Loures como centro regional da Agência de Energia Atómica

Campus Tecnológico e Nuclear de Loures poderá assumir-se como centro regional da agência internacional investindo na formação, investigação e apoio a aplicações nucleares seguras.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor
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O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor Ricardo Campos

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, propôs esta segunda-feira, em Viena, na Áustria, reforçar a posição de Portugal na Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), apostando na capacidade existente no campus Tecnológico e Nuclear de Loures. O objectivo, disse o ministro, é estimular o desenvolvimento de um "centro de formação, investigação e apoio a aplicações nucleares seguras" orientado para as futuras gerações de profissionais de aplicações nucleares, com ênfase no sector da saúde.

Manuel Heitor fez esta proposta durante a sua intervenção na cimeira ministerial associada à Conferência Internacional sobre Segurança Nuclear - Compromissos e Acções da AIEA, no Centro Internacional de Viena, adianta em comunicado o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). Na sua intervenção, o ministro sublinhou o interesse de Portugal em reforçar plataformas internacionais de investigação e desenvolvimento (I&D) e formação avançada na área da física e das aplicações nucleares de elevada segurança, designadamente no sector na saúde e incluindo formas emergentes de medicina nuclear e apoio médico especializado.

"O objectivo é promover o campus de Loures, na região de Lisboa, em estreita interacção com a estratégia da AIEA para o desenvolvimento de centros regionais e trabalhar em estreita parceria com governos europeus e africanos e actores industriais em todo o mundo", refere o comunicado. A sua concretização, adianta, está prevista para os próximos dois anos, em colaboração com o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e o município de Loures, com base nos investimentos realizados nas duas últimas décadas em programas europeus de investigação e formação em fusão e fissão nuclear.

Segundo o MCTES, Portugal quer promover a cooperação científica e tecnológica multilateral em sistemas complexos de engenharia e ciências físicas para uma abordagem integrada de aplicações nucleares seguras, juntamente com os métodos emergentes de ciência dos dados para a governação de riscos.

"Está igualmente empenhado em ajudar a AIEA a promover a medicina nuclear e práticas associadas de saúde, como práticas seguras e fiáveis, bem como a garantir a sua disponibilidade a nível mundial em todos os sistemas de saúde", sublinha. Isto "requer grandes esforços internacionais, públicos e privados para promover a formação de engenharia física tecnológica e biomédica e de tecnologias e práticas de saúde (incluindo enfermagem especializada)", para melhorar os sistemas de saúde em Portugal e facilitar os melhores cuidados médicos e serviços à população, defende o ministério.