Bankinter traz fundação para Portugal e quer investir em startups

Capital de risco será aplicado em empresas em fase inicial, mas que já facturem.

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Pedro Guerrero, presidente não executivo do Bankinter Nuno Ferreira Santos

O banco espanhol Bankinter, que comprou as operações do britânico Barclays no mercado português, decidiu expandir também para Portugal a sua fundação, cujas actividades incluem a análise de startups para receberem investimento de risco por parte do banco.

O presidente não executivo do banco, Pedro Guerrero, explicou numa conversa com o PÚBLICO que a fundação procura empresas em fase inicial. “Buscamos startups que já estão a facturar, mas numa etapa muito primária”, disse Guerrero. Os investimentos são feitos em rondas em que participam também outros investidores. Não há qualquer meta de montantes a investir em startups portuguesas. 

Desde 2013, a fundação analisou 1540 empresas em Espanha, das quais 25 acabaram por receber capital de risco. Entre estas estão algumas empresas na área da tecnologia financeira (mais conhecida pela expressão inglesa "fintech"), um dos sectores que tem atraído a atenção de investidores e cujos serviços por vezes concorrem com os da banca tradicional – acontece, por exemplo, com as plataformas de empréstimos colectivos, em que empresas se podem financiar junto dos utilizadores, e com as tecnologias de divisas digitais (a mais conhecida é a Bitcoin). Guerrero, no entanto, sublinhou que a instituição procura todo o tipo de empresas “que tenham que ver com tecnologia” e que o objectivo é tratar da mesma forma os mercados português e espanhol: “Tanto nos faz investir no Porto ou em Sevilha.”

Para além do programa para empreendedores, a fundação tem um outro para pequenas e médias empresas, que passa por iniciativas de aconselhamento e partilha de conhecimento e não por financiamento. Também trabalha em articulação com universidades para promover o empreendedorismo junto de estudantes (estão a ser feitos contactos com universidades portuguesas, afirmou o responsável) e tem um think tank dedicado a questões de inovação.

A entrada do Bankinter em Portugal aconteceu após a compra do Barclays. O negócio foi anunciado pelas duas instituições em Setembro do ano passado, quase um ano e meio depois de o banco britânico ter posto à venda as operações no mercado português, como parte de uma estratégia de reestruturação. O banco espanhol pagou cerca de 86 milhões de euros, um valor que significou prejuízo para o vendedor (numa outra transacção, a seguradora do Barclays foi também vendida ao Bankinter). A conclusão da compra foi anunciada em Abril e o Bankinter começou então a mudar a imagem do que eram as agências do Barclays.

Nos primeiros nove meses deste ano, o Bankinter apresentou lucros em torno dos 400 milhões de euros (já contabilizando a compra do Barclays), o que significou um crescimento de 34% face a 2015. O maior accionista da instituição é Jaime Botin, irmão do ex-presidente do grupo Santander, que é dono de 23% do banco.