Conselho de Segurança chumba duas resoluções para pôr fim à violência em Alepo

Duas propostas – uma francesa e uma russa – foram chumbadas pelo órgão das Nações Unidas.

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Conselho de Segurança continua sem chegar a bom termo em relação à Síria DOMINICK REUTER/AFP

Mantém-se o impasse diplomático em torno da Síria. O Conselho de Segurança voltou a não conseguir chegar a um acordo para travar a violência em Alepo. Duas resoluções – que tinham como objectivo alcançar um cessar-fogo na cidade síria – foram chumbadas este sábado numa reunião do Conselho de Segurança.

Pela quinta vez desde que a guerra síria começou, a Rússia utilizou o seu poder de veto para chumbar uma resolução relativa ao conflito. A proposta foi apresentada pela França e propunha um cessar-fogo, que incluía os bombardeamentos russos que têm apoiado os avanços do Exército sírio.

Em contrapartida, o embaixador russo na ONU, Vitali Churkin, fez uma nova proposta que também prevê a aplicação de um cessar-fogo, mas que deixa de fora os bombardeamentos da Força Aérea russa.

Ao contrário das outras quatro resoluções derrubadas no Conselho de Segurança da ONU, a Rússia, desta vez, não contou com o apoio da China, que se absteve. Entre os membros não-permanentes – que não têm poder de veto – a Venezuela e Angola juntaram-se à Rússia e chumbaram o texto francês.

A proposta russa teve o mesmo destino que a anterior, ao receber nove rejeições entre os 15 membros do Conselho de Segurança, incluindo os chumbos da França, Reino Unido e EUA. Apenas a Venezuela e a China se juntaram à Rússia com votos favoráveis.

As forças sírias, apoiadas pelos bombardeamentos russos, têm intensificado a ofensiva contra Alepo, com o objectivo de tomar os bairros da parte leste da cidade, controlados pelos grupos rebeldes. Centenas de pessoas têm morrido e os raides aéreos têm deixado várias infra-estruturas civis fundamentais destruídas, incluindo hospitais.

Na véspera da votação no Conselho de Segurança, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pediu uma investigação aos bombardeamentos russos que diz poderem constituir "crimes de guerra".