Rússia apoia mulher do Leste para a ONU

Anúncio feito pelo embaixador russo. Búlgara Bokova era até há pouco tempo a preferida dos russos.

Vitaly Churkin diz que existem grandes probabilidades de o Conselho de Segurança eleger um candidato depois da votação de quarta-feira
Foto
Vitaly Churkin diz que existem grandes probabilidades de o Conselho de Segurança eleger um candidato depois da votação de quarta-feira LUCAS JACKSON/Reuters

O embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, anunciou na segunda-feira à noite que a Rússia apoiará uma mulher do Leste para o cargo de secretária-geral da ONU, numa corrida em que está envolvido o português António Guterres.

“Acreditamos que é a vez de a Europa do Leste fornecer o próximo secretário-geral. Gostaríamos muito de ver uma mulher”, disse Churkin, em conferência de imprensa, citado pela Lusa, sem dizer o nome da candidata que apoiará.

As búlgaras Irina Bokova e Kristalina Georgieva e a moldava Natalia Gherman encaixam neste perfil – as informações das últimas semanas davam conta de que Bokova era a preferida dos russos e a búlgara não retirou a candidatura, mesmo depois de o Governo do seu país ter apresentado uma nova candidata, Kristalina Georgieva, que tem o apoio de Angela Merkel.

A candidatura-surpresa de Kristalina Georgieva faz subir para dez o número dos que estão na corrida ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Actualmente vice-presidente da Comissão Europeia e antiga comissária dos Assuntos Humanitários de Durão Barroso, é vista como a maior adversária de Guterres.

Moscovo ocupa este mês a presidência do Conselho de Segurança da ONU e é um dos seus membros permanentes, o que lhe confere poder de veto em relação aos candidatos. Entre os membros permanentes estão também o Reino Unido, a França, a China e os EUA. O Conselho de Segurança vai a votos esta quarta-feira, num sufrágio que marcará a estreia de Georgieva na votação oficial e será o primeiro teste à sua elegibilidade.

O antigo conselheiro especial de Ban Ki-moon e analista da ONU Edward C. Luck sublinha que, apesar de o candidato português ter vencido todas as votações, “a corrida não está no fim”, escreve a Lusa.

Kristalina Georgieva deverá ser apoiada pela Alemanha e pelo próprio presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker, mas falta saber que apoios tem dentro no Conselho de Segurança, em particular entre os países que têm assento permanente e direito de veto. Para já, o facto de ser mulher e uma candidata da Europa do Leste são dois factores a favor nesta corrida. Já Irina Bokova, actual líder da UNESCO, foi durante muito tempo considerada a favorita, mas tem agora mais votos de "desencorajamento" (sete) do que de "encorajamento".

"[Com a votação desta quarta-feira], vamos conseguir perceber se algum dos membros permanentes tem reservas sobre Guterres. E vamos saber o que é que os 15 membros acham de uma entrada à última hora numa corrida que era suposto destacar-se pelo rigor e transparência", conclui Edward C. Luck.

Já o embaixador russo acredita ainda que existe "uma boa probabilidade de uns dias depois" da votação de quarta-feira o Conselho de Segurança votar formalmente um candidato e o apresentar à Assembleia Geral para aprovação.

O novo secretário-geral assume a pasta a 1 de Janeiro de 2017.