Opinião

O imperativo digital: um comboio a alta velocidade

É importante que as empresas garantam o seu bilhete para esta viagem digital, principalmente porque este comboio não vai parar ou esperar pelos retardatários.

As ferramentas digitais têm vindo a ganhar popularidade no seio empresarial muito por culpa da rápida absorção e uso da Tecnologias de Informação e Comunicação. Este é um processo em aceleração crescente e que abre, ao mesmo tempo, um conjunto de oportunidades de interacção e proximidade que afectam a rotina comunicacional das empresas.

É notório que o processo de comunicação se encontra em constante mutação na medida em que o Homem encontra sempre novas sinergias entre métodos, formas e meios de expressão. Hoje, dou por mim a testemunhar grupos de pessoas focadas na recolha de informação através dos seus computadores, tablets ou telemóveis. O Digital é o futuro e motivo suficiente para a sua necessária profissionalização. Acho que se engana quem pensa o contrário. As empresas que não estão, hoje, presentes no online ou que não têm pessoas capazes de dar resposta a esta corrente digital, correm o risco de se tornarem obsoletas. Eu diria que o digital não é mais o futuro, mas o presente.

A evolução a que assistimos ao longo do tempo deve-se à própria natureza dos negócios, à efervescência das alterações sociais e à velocidade com que tudo acontece. Veja-se o caso das Redes Sociais. Hoje, existe um número sem fim de plataformas mutáveis onde massas e nichos se conectam entre si e, mais recentemente, entre as marcas. O fenómeno Facebook é um autêntico centro empresarial repleto de anúncios e relações entre marcas e consumidores. Por outro lado, não acreditaria se me dissessem há uns meses que as marcas iriam comunicar com o seu público através do Snapchat.

Uma evidência social bastante interessante prende-se com a mais recente Geração Z, muito associada à realidade da internet, e aos Millenials que nascem praticamente com um tablet nas suas mãos e informação “just in time”. As gerações herdam claramente a evolução tecnológica e a previsão é a de que este fenómeno digital se consolide cada vez mais, pelo que é necessário as empresas acompanharem também este processo com o planeamento possível. Essas gerações são os clientes do futuro e também de hoje.

Não quero com isto dizer que o planeamento empresarial contemporâneo dependa única e exclusivamente do digital. É fundamental definir as actividades da empresa e dar ao online um papel relevante e articulá-lo com o método tradicional de fazer negócios. A minha visão defende sobretudo uma estratégia mista – o equilíbrio entre o tradicional e o digital. A generalidade das empresas sente hoje a necessidade de se tornar mais flexível e de se adaptar em função dos seus públicos e de variáveis como as novas tecnologias e o contexto do mercado. As empresas percebem cada vez mais a importância de terem uma identidade digital e de assinalarem o seu território nesta área, deixando assim uma porta aberta ao cliente 24 horas por dia, sem restrições temporais e de localização.

Estudos recentes indicam que o consumidor, antes de efectuar uma compra online ou offline, já está mais informado do que nunca. O Google, por exemplo, permite encontrar os melhores produtos e serviços e inclusive comparar quase automaticamente os preços. Este arsenal informativo pode fazer com que determinada pessoa desista de comprar um produto ou serviço em detrimento da concorrência, pelo que, na minha opinião, é fundamental reflectir sobre a forma como as empresas podem usar as ferramentas digitais para se diferenciarem, construindo assim um relacionamento longo e duradouro com os seus clientes e, mais do que alcançar, serem descobertas por potenciais consumidores.

O advento digital traz hoje uma nova competitividade ao abrir as portas a pequenas e médias empresas que podem agora disputar um mercado onde até aqui apenas os grandes players competiam. Todos estes canais altamente segmentados permitem um investimento mais acessível e com garantias de um maior impacto e resultados. Um autêntico cálice para os negócios e quem ficar de fora vai inevitavelmente atrasar-se nesta viagem.

O desafio digital é, hoje, um comboio de alta velocidade que temos de apanhar e que mostra quase incontáveis apeadeiros: Facebook, Twitter, Blogs, Youtube, LinkedIn, Snapchat, Instagram, e-Commerce, Website, E-mail Marketing, Google, SEO, Adwords, Analytics, Mobile, etc.

O que hoje é uma verdade absoluta, amanhã pode não ser. Se hoje o Facebook é a maior rede social do mundo, amanhã pode nem existir. Se ontem se privilegiava o maior número de Likes possível – por vezes sem qualquer objectivo estratégico –, hoje dá-se maior importância a um pequeno target bem segmentado.

É importante que as empresas garantam o seu bilhete para esta viagem digital, principalmente porque este comboio não vai parar ou esperar pelos retardatários. O futuro é claramente Digital... mas o presente também já o é!

Director Geral da MetLife Iberia