Blackstar de David Bowie nomeado para o Mercury Prize

A shortlist de 12 nomeados do Mercury Prize foi anunciada esta quinta-feira e, caso ganhe, David Bowie pode ser o primeiro vencedor póstumo da história dos prémios.

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Blackstar foi editado no aniversário de David Bowie, dois dias antes da sua morte a 10 de Janeiro REUTERS/Ilkka Ranta

David Bowie desapareceu a 10 de Janeiro devido a um cancro no fígado, mas a sua música está bem e recomenda-se. O seu último álbum, Blackstar, considerado um “presente de despedida” para os seus fãs, está nomeado para o Mercury Prize, prestigiado prémio que distingue o melhor álbum lançado entre 26 de Setembro de 2015 e 29 de Julho de 2016 da autoria de músicos ou bandas do Reino Unido e da Irlanda. O vencedor é conhecido no dia 15 de Setembro.

Blackstar, lançado dois dias antes da sua morte (no dia do seu aniversário), foi descrito pelo jornal britânico The Guardian como um álbum “ambíguo e encantador” e as suas letras crípticas confundiram, inicialmente, os críticos. Depois de se saber que tinha sido diagnosticado com cancro 18 meses antes, versos como “Look up here, I’m in heaven”, de Lazarus, foram largamente interpretados como sendo a despedida do cantor. Esta é a terceira nomeação de Bowie para o Mercury Prize, depois de Heathen (2002) e The Next Day (2013).

Os Radiohead estão nomeados pela quinta vez, com o álbum A Moon Shaped Pool, e detêm o recorde de maior número de nomeações, apesar de nunca terem saído vencedores. Anohni, também está nomeada com Hopelessness, um disco de grande carácter político que critica a guerra de drones da administração Obama, o aquecimento global e a prisão de Guantánamo. Esta é a sua segunda nomeação, tendo vencido o prémio em 2005, quando ainda assinava como Anthony.

Natasha Khan, conhecida como Bats For Lashes, está nomeada pela terceira vez com o disco The Bride, que conta a história de uma rapariga cujo noivo morre num acidente rodoviário no dia do casamento. Khan gravou grande parte do álbum em Nova Iorque, perto da casa de David Bowie e disse ao The Guardian que ouviu Blackstar enquanto gravava The Bride. “Comecei a ouvir Bowie quando era pequena e o facto de ele ter tido uma carreira tão longa que se sobrepõe à minha é um grande testemunho da sua relevância.”

Entre os estreantes, estão a banda The 1975, nomeada com o álbum I Like It When You Sleep For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It e os discos de grime Konnichiwa, de Skepta, e Made in the Manor, de Kano, que mostram que este género de música urbana surgida nos anos 2000 conquistou um lugar no espaço mainstream. Dizzee Rascal foi o primeiro artista grime a ganhar o prémio, em 2003, com Boy in da Corner.

 A shortlist da 25ª edição do Mercury Prize foi seleccionada por um painel de jurados constituído por músicos, jornalistas ou promotores que inclui o antigo vencedor Jarvis Cocker, a locutora da Radio 1 Annie Mac, o produtor Naughty Boy e a cantora Jessie Ware.

A BBC nota a ausência de 25, de Adele e de A Head Full of Dreams, de Coldplay, que foram os álbuns lançados durante o período considerado para elegibilidade que mais cópias venderam. Também PJ Harvey, a única artista a vencer o prémio duas vezes, ficou de fora das nomeações com o álbum The Hope Six Demolition Project.

A lista vai ser reduzida a seis álbuns na noite dos prémios com um dos finalistas seleccionados por um voto público. A casa de apostas britânica Ladbrokes diz que Bowie é o favorito a ganhar o prémio este ano. “Bowie é a escolha emocional óbvia, mas depois da surpresa do ano passado com Benjamin Clementine, não excluímos outro choque”, disse Jessica Bridge, da Ladbrokes.

Criado em 1992, o Mercury Prize não faz distinção de género musical e tende a destacar artistas menos conhecidos em vez de músicos já bem estabelecidos no mainstream. Alguns dos vencedores, como Arctic Monkeys e Elbow, conseguiram popularidade mundial depois de ganharem o prémio.