Celebras 100 anos? Toma lá uma montanha

Noruega está a ponderar a hipótese de oferecer à vizinha Finlândia o cume de uma montanha, para assinalar os cem anos de independência deste país, em 2017.

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paulo ricca/arquivo

A Noruega está a pensar oferecer à vizinha Finlândia o pico de uma montanha, precisando para tal de fazer apenas um pequeno ajuste na sua fronteira. O motivo são os 100 anos de independência da Finlândia, que se comemoram no próximo ano, e a ideia partiu de um geofísico reformado, que costumava trabalhar para o Governo norueguês e que desde os anos 1970 estranha a localização da fronteira entre os dois países no ponto em causa. Há apenas um pequeno pormenor legal a ser ultrapassado, para que a ideia que animou habitantes dos dois países se possa concretizar.

O ponto mais alto da Finlândia é, neste momento, um esporão de uma montanha, a Halti, cujo cume está no lado norueguês. A fronteira, desenhada em linha recta, no século XVIII, passa na encosta da montanha, privando a Finlândia de um pico a que possa chamar o ponto mais alto – uns meros 1365 metros –, quando a Noruega, verdadeiramente não precisa dele para nada (o pico mais alto, em Galdhøpiggen, atinge os 2469 metros).

Quando o geofísico reformado, Bjørn Geirr Harsson, de 76 anos, soube do centenário que se aproximava, propôs ao governo norueguês que oferecesse o pico da Halti à Finlândia. Para tal, explicou, bastaria mover a fronteira 150 metros para norte e 200 metros para oeste. A proposta seguiu já em Julho de 2015 e depois de algum tempo de espera, o ministro dos Negócios Estrangeiros respondeu-lhe finalmente, em Janeiro deste ano, explicando que, infelizmente, a Constituição do país define que este é “um reino livre, independente, indivisível e inalienável”, pelo que a oferta de território aos vizinhos finlandeses não era possível.

Contudo, há quem defenda que o que está em causa é um mero ajuste de fronteira – algo que tem sido feito nos últimos anos tanto com a Finlândia como com a Rússia, para acomodar mudanças no curso dos rios ou em bancos de areia, e que esta oferta poderia ser encarada nesta perspectiva.

A verdade é que uma página criada no Facebook pelo filho de Harsson, defendendo a oferta, tem já quase 16 mil gostos, e a ideia parece agradar à maioria dos habitantes dos dois países. O caso levou mesmo a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, a dizer à televisão nacional que o caso não está fechado. “Há algumas dificuldades formais e ainda não tomei a minha decisão”, disse, citada pelo The Guardian, e garantindo ainda: “Mas estamos a avaliar”.

Os cem anos de independência da Finlândia da Rússia celebram-se a 6 de Dezembro de 2017, por isso, a Noruega tem ainda mais de um ano para decidir se a prenda que quer oferecer ao país vizinho, nesse dia, é mesmo o cume de uma montanha.