A CPLP vista por oito jovens

São oito jovens: professores universitários, advogados, estudantes, gestores e uma assistente de comunicação. Apenas um deles tem mais de 30 anos. Uns expressam opiniões mais favoráveis do que outros à ideia da CPLP. Todos deixam propostas.

Há quem nunca tenha ouvido falar da CPLP, como a estudante brasileira Marina Serra, mas goste da ideia de uma comunidade à volta das variantes de português. Há quem entenda que o projecto de uma comunidade de língua portuguesa promove “a ideia de que somos ‘um só’, à semelhança do luso-tropicalismo”, como a moçambicana Eliana Nzualo.

Há quem lembre, como o angolano Sérgio Dundão, que a “finalidade de harmonizar e conciliar as relações dos Estados-membros”, inscrita na CPLP, nunca foi cumprida. Ou quem defenda, como o guineense Saibana Baldé, que “em nada beneficia países que foram colonizados”.

O timorense Lukeno Alkatiri deseja uma CPLP que tenha “como objectivo uma verdadeira luta contra as desigualdades sociais, económicas e políticas existentes nos seus países-membros”. A portuguesa Maria Morais projecta-a sobretudo como “uma arma de combate à exclusão e à xenofobia”. Vários, como a cabo-verdiana Evandra Moreira, sublinham que deveria haver mais facilidade de circulação dos cidadãos membros da CPLP. Mas a são-tomense Edlena Barros deixa a reflexão: “Para quê uma organização como esta que pretende ‘promoção do desenvolvimento e a cooperação mutuamente vantajosa’ se, na prática, isto está muito longe da realidade?”

Fomos perguntar a oito jovens, um de cada país que comemora os 20 anos da organização, se acham que a CPLP faz sentido, para quê — como seria a sua CPLP ideal? 

Angola

“Deve evitar a associação ao ideário colonial”

Sérgio Dundão, professor de Ciência Política e Relações Internacionais, 29 anos

Do ponto vista político, faz todo o sentido a existência da CPLP. Surgiu numa altura em que o Estado e o Governo angolano liderado pelo MPLA precisavam de fortalecer o seu reconhecimento internacional e a sua imagem externa. 

Integrar uma organização internacional enquadrava-se na estratégia política do executivo. Mas o papel do Estado acabou por ficar condicionado pela situação interna do país. Só no pós-guerra é que o Estado passou a afirmar o seu poderio e a preservar os interesses nas organizações onde era membro.

No caso da CPLP, observamos esse poderio angolano em duas situações distintas: o processo da adesão da Guiné Equatorial à CPLP; e a rejeição na implementação do Acordo Ortográfico em Angola. Nestas duas situações prevaleceu o interesse angolano em detrimento do interesse da organização.

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Devia ser uma organização política focada na procura de uma harmonia dos povos, devendo, para tal, integrar elementos da sociedade civil dos países membros e não uma organização que procura reescrever o passado colonial

A CPLP, aquando da sua criação, tinha como finalidade harmonizar e conciliar as relações dos Estados-membros. Passou a ser encarada como uma organização de conciliação ou reconciliação de povos que tiveram situações políticas conflituosas e de violência física. Isto nunca chegou a ser concretizado tal qual se previa, porque os Estados não conseguiram deixar o seu passado de lado. Por exemplo, os angolanos nunca obtiveram o estatuto de refugiados em Portugal e os vistos de viagem mantêm mesmo o rigor da concessão. Assim sendo, a CPLP tem sido uma organização de conciliação e de concertação dos interesses dos Estados-membros e de projecção dos seus interesses políticos.

Quando Angola ou Portugal ou Brasil apresentam uma candidatura a um lugar numa organização internacional, normalmente ao Conselho de Segurança, estes acabam por contar com o apoio dos restantes membros da CPLP. Assim sendo, esta tem sido mais uma organização política do que propriamente cultural ou social de aproximação dos povos ou das culturas diferentes.

Não tenho esperança de que haja uma CPLP ideal, visto tratar-se de uma organização que, essencialmente, prossegue fins políticos. Se fosse para a idealizar noutros pressupostos, diria que essa teria de ser reformulada ou refundada. Uma refundação baseada na alteração da percepção que temos da organização que é encarada exteriormente como querendo a agregação dos falantes da língua portuguesa. Este fim é coincidente com o ideário colonial, visto que o regime colonial sempre ambicionou a constituição de um mundo português, onde a língua se assumiu como instrumento de dominação. Então, uma CPLP ideal deve evitar essa associação que ofende muitos membros da elite africana, como o escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho ou o escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana.

A CPLP devia ser uma organização política focada na procura de uma harmonia dos povos, devendo, para tal, integrar elementos da sociedade civil dos países-membros e não uma organização que procura reescrever o passado colonial ou ser um instrumento de suavização do pesado passado colonial, dando a ideia de que a colonização foi suave e, por isso, hoje existe uma harmonia dos povos através da pertença a essa comunidade de países, todos membros da CPLP. O passado não pode ser reescrito, as acções de inocentes e responsáveis ficaram gravadas na História, mas devemos tentar compreender o passado e tirar daí ilações para o presente.

Brasil

“Tirar o português do cercadinho nacionalista de cada país”

Marina Serra, estudante universitária de Música, 19 anos

Não sei se muitas pessoas, especialmente jovens, no Brasil estão cientes de que exista algo como a CPLP. Faz muito sentindo existir. Temos algo em comum pelo facto de falarmos a mesma língua, mas estamos distantes uns dos outros. São poucos os grupos de países que têm uma conexão por falar a mesma língua. Uma CPLP deve existir para que o português vire uma língua não só de nossos países individualmente, mas sim do mundo: para torná-la um passaporte. O português é poético, complexo e apaixonante. A riqueza aumenta ainda mais quando se enxerga a diversidade e particularidade cultural que cada país da CPLP adiciona ao idioma, pois cada um deles tem um português diferente e características únicas. Portanto, uma CPLP deve existir para criar um intercâmbio cultural entre esses países.

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Uma CPLP deve existir para que o português vire uma língua não só de nossos países individualmente, mas sim do mundo: para torná-la um passaporte

Imagino uma comunidade de países que escuta músicas de outros países, que também falam português, lêem livros de autores de países diferentes que escrevem em português. Enfim, precisamos tirar o português do cercadinho nacionalista de cada país que se expressa nessa língua.

A CPLP ideal, respeitando as características culturais de cada país, pode trazer para o mundo global a língua portuguesa em um constante intercâmbio com outras línguas e culturas. Quero escutar músicas de Moçambique enquanto leio um livro de autor angolano, e espero que no outro lado do mundo tenha uma pessoa de Cabo Verde lendo um livro de Portugal e escutando minhas músicas com meu português jeito-brasileiro. Mas também gostaria que outras línguas e culturas estrangeiras estabelecessem uma relação de troca e complementaridade com o português e que nós, em contrapartida, estivéssemos abertos a essa possibilidade de levar o português ao jardim planetário dos idiomas.

Moçambique

“Vivemos numa ditadura do português”

Eliana Nzualo, gestora de projectos de comunicação e marketing, 25 anos

Sinceramente acho que não. Que mais-valia retiramos (Moçambique) da organização? O que é que ela acrescenta ao nosso país? Parece-me que é apenas um fórum para garantir que os interesses de Portugal continuam salvaguardados, mesmo depois da independência das ex-colónias. É uma maneira de ter alguma vantagem no que toca a oportunidades de cooperação e investimentos.

Serve de mecanismo de manutenção da ideia de irmandade pela língua, que é também para manter esta ideia de que somos um só, à semelhança do luso-tropicalismo. Impede-nos de investir em iniciativas locais, nas nossas próprias línguas locais; nos nossos empresários; nos nossos recursos; etc. Vivemos numa ditadura do português, pois no nosso consciente essa é a nossa língua e faz parte da nossa identidade como nação. Na tentativa de combater conflitos tribais, acabamos por negligenciar as outras línguas que se falam no nosso país.

A CPLP não tem nenhum interesse político, apenas económico. Vejamos: nos últimos anos, Moçambique tem atravessado uma crise político-militar que tem prejudicado muito a nossa economia. Podemos dizer mesmo que existe uma guerra no centro do país. No entanto, a CPLP nada fez para intervir. O mesmo se pode dizer em Angola, aquando da prisão dos 15+2, numa clara violação de direitos humanos: o regime angolano liderado não sofreu nenhuma reprimenda na CPLP.

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Temos mais de metade da nossa população sem acesso à educação, saúde e economia formal por não saber ler e escrever, mas que fala uma língua local. Não devíamos criar condições para as nossas línguas locais se oficializarem?

No entanto, tanto em Moçambique como em Angola, há muito interesse na exploração dos recursos minerais. E a CPLP (leia-se Portugal) quer estar à frente destes negócios.

Não imagino uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa saudável, pois a base onde foi construída tem princípios imperialistas e neocoloniais. Tirando o Brasil e Portugal, a CPLP é composta por nações muito jovens que ainda têm muito trabalho a fazer para consolidar a sua democracia e identidade.

Que ideais/factores têm estes países em comum senão o facto de falarem português? E, atenção, mesmo esse facto pode ser questionável. Em Moçambique, mais de metade da população não é alfabetizada e vive isolada em zonas rurais, onde a língua portuguesa não tem peso quase nenhum. Fará sentido nos posicionarmos como um “País de Língua Portuguesa”? 

Temos mais de metade da nossa população sem acesso à educação, saúde e economia formal por não saber ler e escrever, mas que fala uma língua local. Não devíamos criar condições para as nossas línguas locais se oficializarem? Escrever livros nestas línguas? Preservá-las? Não devíamos estar a criar acessos para esta metade da população se desenvolver e prosperar? 

A menos que esteja interessada em repensar os seus objectivos e estrutura, duvido seriamente que a CPLP esteja investida neste tipo de iniciativas. 

Timor-Leste

Uma plataforma de influência

Lukeno Alkatiri, advogado, 29 anos

A existência da CPLP tem relevância. E esta mesma relevância tem ainda aumentado, como se pode provar com o número de países (que não os membros originais) que vêm demonstrando o interesse em aderir à CPLP, seja como membros ou como observadores.
Acho que a maior (senão a melhor) especificidade da CPLP, para além de (originalmente) fortalecer povos que partilham a mesma língua (resultante de uma história comum), é que alcança uma abrangência importante, tendo em conta a localização geográfica de cada país, criando assim uma ligação por todo o globo.

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Uma CPLP que tenha como objectivo uma verdadeira luta contra as desigualdades sociais, económicas e políticas existentes nos seus países membros.

Ligação esta essencial para promover não só a língua portuguesa, mas uma identidade e cultura ricas pela sua diversidade, todavia única. Com o poder económico que muitos dos países-membros hoje possuem, a CPLP pode providenciar uma plataforma de influência e desenvolvimento diferente, dando também “vozes” a quem, numa situação diferente, não seria ouvido.

Sendo o único país-membro da CPLP, e com o português como uma das línguas oficiais, na região do Sudeste asiático e Pacífico, Timor-Leste, para além de fazer justiça à sua história e cultura, consegue garantir uma posição geopolítica e geoestratégica única. Posição esta que não beneficia apenas Timor-Leste, mas sim todos os países-membros da CPLP.

Uma CPLP comprometida à cooperação entre os seus membros, promovendo continuamente a língua portuguesa. Uma organização comprometida com uma visão de desenvolvimento e de promoção dos princípios e ideais visados, mas sempre inclusiva. Uma CPLP que tenha como objectivo uma verdadeira luta contra as desigualdades sociais, económicas e políticas existentes nos seus países-membros.

São Tomé e Príncipe

“Falamos de países-membros e irmãos, quando estamos divididos por classes”

Edlena Barros, assistente de comunicação, 30 anos

Faria mais sentido a existência da CPLP se houvesse benefícios igualitários para os membros e se conseguisse cumprir com os seus objectivos, deixando de ser mais de teoria do que de prática.

Parece que, mesmo entre os países, existe um certo cepticismo em relação ao outro, uma desconfiança que impede que a organização possa realmente funcionar. De que forma os diversos acordos, reuniões, encontros já realizados resultam em acções concretas que beneficiem os cidadãos dos países-membros?

O facto de São Tomé e Príncipe dividir agora com Portugal o mandato é, para mim, um absurdo. Cada país deve ter a sua oportunidade, tendo os outros membros como apoiantes e não como críticos. A pergunta é: para quê existir uma organização como esta que pretende “promoção do desenvolvimento e a cooperação mutuamente vantajosa”, se na prática isto está muito longe da realidade? De que adianta escrever que preconiza a “reciprocidade de tratamento” se na prática isto não acontece? Será que é culpa dos países-membros menos desenvolvidos por aceitarem qualquer coisa que lhes é dado? Falamos muito de países-membros e irmãos, quando na prática estamos todos divididos por classes. Mas acredito que isso só será diferente quando cada um dos países tiver ou tomar a consciência do seu poder/direitos/deveres.

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Gostaria que fosse uma organização mais activa e presente entre os países membros. Para isso não será preciso interferir nos assuntos internos de cada Estado, mas ser mais presente entre os cidadãos,

Gostaria que a CPLP fosse uma organização mais activa e presente entre os países-membros. Para isso, não será preciso interferir nos assuntos internos de cada Estado, mas ser mais presente entre os cidadãos, pois fazemos parte de uma comunidade na qual não nos sentimos plenamente integrados.

Qual seria o sentido de estar numa organização se não servir para melhorar a situação de cada país? O meu ideal de CPLP seria este: uma organização mais activa para os membros, mais igualitária, que realmente consiga cumprir com os objectivos, ou grande parte deles, para os quais foi criada.  

Cabo Verde

“Com menos ‘burocracia’ para a circulação de pessoas”

Evandra Moreira, estudante universitária de Políticas e Práticas Sociais, 24 anos

Faz muito sentido ter uma organização que una os países em torno da sua língua. Que possibilite troca de experiências e ajudas entre os Estados-membros, o financiamento dos mais diversos projectos e vise o desenvolvimento dos Estados-membros, principalmente os mais pobres.  

Mas, mais do que isso, que vise a concertação política e diplomática entre os países-membros efectivamente, porque só assim todos os Estados-membros estariam em pé de igualdade. As áreas prioritárias: educação, saúde, ambiente, cidadania e formação de recursos humanos. São essenciais porque vários países integrantes têm défice nestes sectores.

As vantagens ainda estão timidamente a ser sentidas em Cabo Verde. Acredito que a própria CPLP é pouco divulgada.  

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Deveria haver maiores vantagens económicas para os países membros. Cabo Verde é um país que depende muito do exterior. A nossa produção interna sustenta apenas 20% da população e a CPLP deveria servir precisamente para melhorar e explorar esse potencial

Acredito que deveria haver maiores vantagens económicas para os países-membros, porque Cabo Verde é um país que depende muito do exterior. A nossa produção interna sustenta apenas 20% da população e a CPLP deveria servir precisamente para melhorar e explorar esse potencial, aproveitando sinergias entre si e reforçando as trocas comerciais e os investimentos.

A CPLP engloba países com estágios de desenvolvimento diferenciados e cada um com a própria lógica de integração. Nenhum país quer sair perdendo e por vezes acaba por não aproveitar as próprias potencialidades.

Por ser uma organização com poucos anos de existência e por ter países com situações políticas, diplomáticas e cooperações diferenciadas, torna o desafio muito mais complicado — porém, não impossível.

Uma CPLP ideal seria: uma CPLP em que os Estados-membros estivessem mais virados para a própria comunidade e que partilhassem mais uns com os outros; em que fosse mais divulgada junto da sociedade civil de todos os Estados-membros; com maior financiamento para os seus países pobres mas, mais do que isso, que transbordasse além da comunidade; com menos “burocracia” para a circulação de pessoas entre os países-membros.

Guiné-Bissau

“Em nada beneficia países que foram colonizados"

Saibana Baldé, gestor de projectos sociais, 29 anos

Tal como temos hoje, a CPLP não tem sentido de existir, pois é continuação de dominação e em nada beneficia países que foram colonizados, sendo um – mas muito importante – instrumento de absorção de história, cultura e língua desses países. Isso quer pela via formal, e conhecida por todos como é o caso de Acordo Ortográfico, ou pela via diplomática e invisível, consentidos em posições comuns e imposições, em muitos casos inaceitáveis e dúbias. Vejam-se as posições de CPLP fase às crises na Guiné-Bissau e noutros países da comunidade.

Faz sentido a existência da CPLP numa perspectiva de respeito pelo passado e pelo presente – sem ingerência política e diplomática, mas com vontade de caminhar em comum, aproveitando as singularidades de cada país. Vivemos num mundo em que concertações, posições em bloco e proximidades são importantes para a obtenção de vantagens colectivas. E a CPLP tem uma enorme potencialidade – a dispersão dos países que a constituem e a força que cada um e em conjunto podem ter.

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Faz sentido a existência da CPLP numa perspectiva de respeito pelo passado e pelo presente – sem ingerência política e diplomática, mas com vontade de caminhar em comum, aproveitando as singularidades de cada país

Por culpa própria, como consequência das constantes instabilidades, nem na CPLP nem em qualquer outra organização a Guiné-Bissau tem tido o papel que foi desempenhado pelo país, nomeadamente na independência de países lusófonos.

Se a CPLP pudesse ser uma comunidade que identifique as vantagens para uma actuação conjunta na política de livre circulação de pessoas e bens, na mobilidade de estudantes e empresários, apostando na promoção de fazedores de cultura e criadores, dando-lhes vantagens de penetração em espaços que ainda não atingem, isso seria mais do que suficiente.

Portugal

Usar a língua para promover a igualdade 

Maria Morais, gestora de conteúdos, 32 anos 

Tendo em conta a história que une os países falantes de língua portuguesa, é importante a existência de um organismo representativo dessa ligação. A língua é um factor de enorme valor. 

Por trás da questão linguística, pesam factores económicos e os interesses comerciais e políticos, e com estes vem uma série de outras questões, umas mais controversas que outras. O Acordo Ortográfico é disso exemplo (para não falar do petróleo, das exportações, etc.): surge do interesse político de se uniformizar um modo de escrever que não reflecte o ser português, não espelha a identidade de cada país. Esta tem sido uma discussão que fez com que muitos portugueses de repente percebessem que existe uma organização de países que falam a mesma língua. Em Portugal, as atenções viraram-se para a CPLP como se calhar nunca haviam estado. De repente, há uma mudança imposta e bastante confusa.

A CPLP tem razão de existir; é importante mantermos presente nas nossas vidas o papel que a língua e as comunidades falantes de português têm na história, cultura e relações, em sociedade e com o mundo, e usar-se isso na promoção da igualdade e do respeito e no apoio aos mais carenciados e na cooperação entre países.

Idealmente, a CPLP deve ser uma organização que privilegie a relação entre os falantes de português, provenientes dos vários cantos do mundo. O mais importante é que seja um verdadeiro reflexo da união entre pessoas, não só falantes da mesma língua, mas com valores comuns, e sobretudo constitua uma arma de combate à exclusão e à xenofobia.

Há um trabalho grande a fazer-se relativamente ao combate à iliteracia, que apresenta níveis muito elevados em países como Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, ou seja, nos PALOP. É nisto que é preciso continuar a batalhar-se, na formação de pessoas, e é neste sentido que espero ver os países da CPLP actuar de forma unida.