Morreu Hector Babenco, o realizador de e de O Beijo da Mulher Aranha

O realizador argentino esteve nomeado para Óscar de Melhor Realizador em 1985 com a longa-metragem interpretada por Sônia Braga e William Hurt.

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O realizador Hector Babenco numa apresentação em Roma em 2007 AFP PHOTO / TIZIANA FABI
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A actriz Sônia Braga no filme O Beijo da Mulher Aranha de Hector Babenco dr

Hector Babenco morreu esta quarta-feira, vítima de paragem cardíaca, em São Paulo, no Brasil. A informação foi confirmada pela ex-mulher, Raquel Arnaud, ao jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Tinha 70 anos e era casado com a actriz Bárbara Paz.

Um dos filmes mais conhecidos do realizador argentino radicado no Brasil é Pixote: A lei do mais fraco, de 1981, que lhe deu a confirmação internacional e que aborda as deambulações de um menino de rua, interpretado por Fernando Ramos da Silva, e contando também com a interpretação da actriz Marília Pera. Depois de ter sido considerado uma revelação, Fernando Ramos da Silva ainda tentou seguir uma carreira de actor mas regressou à favela e, aos 19 anos, morreu num tiroteio com a polícia militar. A sua vida foi contada no livro Pixote Nunca Mais e inspirou o filme Quem Matou Pixote?, de José Joffily.

O sucesso de Pixote: A lei do mais fraco valeu a Babenco a possibilidade de ter um filme de produção norte -americana, a adaptação da peça do argentino Manuel Puig, O Beijo da Mulher Aranha, com William Hurt (Molina), Raul Julia (Valentín) e Sônia Braga (Mulher Aranha). Numa prisão de um país da América Latina, um prisioneiro político de esquerda e um homossexual dividem a mesma cela.

O êxito deste filme valeu ao actor norte-americano William Hurt o prémio de interpretação no Festival de Cinema de Cannes e o Óscar de Melhor Actor em 1985. O Beijo da Mulher Aranha foi nomeado para Melhor Filme e o próprio Babenco foi nomeado para Melhor Realizador no mesmo ano. O estatuto alcançado deu uma ainda maior credibilidade ao cineasta, o que lhe permitiu contar no filme seguinte, Ironweed/Estranhos na Mesma Cidade, de 1987, adaptação do romance de William Kennedy, com duas das maiores vedetas do cinema internacional: Jack Nicholson e Meryl Streep. Ambos foram nomeados para o Óscar.  

É também o realizador de Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de 1977, que enfrentou a censura, de Carandiru, de 2003, baseado no livro de Drauzio Varella, Estação Carandiru (também editado em Portugal), sobre a sua experiência como médico na prisão onde aconteceu um massacre em 1992, e de Brincando nos Campos do Senhor (1991), rodado na Amazónia, e com interpretações de John Lihgow, Tom Berenger, Daryl Hannah e Tom Waits. 

Meu Amigo Hindu é a sua mais recente e última longa-metragem, que tem William Dafoe como protagonista e para o qual o actor sofreu uma grande transformação física, pois interpreta um doente. O filme é semi-autobiográfico e conta a história de um cineasta que luta contra um tumor, recordando o cancro que Babenco combateu na década de 90.

Nascido em Mar del Plata, na Argentina, a 7 de Fevereiro de 1946, Babenco radicou-se no Brasil aos 19 anos e naturalizou-se brasileiro aos 31 anos.